Arquivo do mês: março 2010

LENA MACHADO EM ALDEIA DE SAMBAS E OUTRAS METAMORFOSES

A música popular no Maranhão ganhou, no comecinho de 2010, um belíssimo presente, o novo cd da cantora Lena Machado.

Samba de Minha Aldeia é o título do mais novo trabalho da talentosa cantora maranhense. Trata-se de uma produção belíssima, por dentro e por fora. A capa é um luxo: artes do fotógrafo Rivânio Almeida Santos (são dele as que ilustram este texto) e do designer Waldeilson Paixão. As fotos todas ambientadas no famoso Bar do Léo, espécie de museu vivo da cultura musical brasileira, encravado no hortomercado do Vinhais.

Lena Machado nos oferece um apurado trabalho musical, que além do seu belo cantar sobre um repertório todo de compositores maranhenses, traz também um tratamento instrumental de apurada elaboração, da lavra do inventivo violonista e maestro Luiz Júnior, diretor musical do disco.

O próprio título do trabalho de Lena – Samba de Minha Aldeia – já pode suscitar diferentes interpretações, o que por si só já é algo da maior importância. Há quem pense se tratar de um disco de samba; outros podem imaginar um cd regionalista, ou as duas coisas juntas. Enfim, são muitas as possibilidades de reflexão e debate em torno da chamada de capa desse trabalho. Um debate que há muito carece sobre nossa produção musical. Lena propõe em seu disco uma reflexão que escapa às conclusões precipitadas, óbvias, simplistas.

Complexidades, multiculturalidades, hibridismos e diversidades culturais. Este é o contexto deste Samba de Minha Aldeia, que se pretende, a partir do local, do terreiro, da aldeia, reunir, interagir com os diferentes elementos e informações de um mundo em intercâmbios cada vez mais intensos, contínuos e velozes.

Essa compreensão e sua tradução, na prática, de uma produção musical não é dada, nem achada na calçada alta da mediocridade ufanista e xenófoba ou do colonialismo cultural. Carece de sensibilidade para compreender o que se passa ao redor e dentro da aldeia em cursos de idas e vindas recíprocas, numa re-significação permanente dos fazeres culturais; e nesse bojo, de uma noção identitária do artista, que também se reinventa a partir do seu locus inserido na grande aldeia.

Daí um choro, um baião, gêneros da simbologia musical brasileira, tudo vira samba, tudo flerta com a cultura popular do Maranhão e tudo fala em notas universais de um blues nordestino, interiorano na cidade em noite de DJ.

Samba como samba e como forma de acolher outras músicas em uma grande jam session de raiz brasileira e maranhense e de folhas abertas em copas para o mundo. Samba de Minha Aldeiapropõe essa confusão que faz bem aos sentidos de um mundo cada vez mais complexo e plural. Invoca tolerância, convivência, trocas e acolhidas musiculturais, através do prazer de ouvir boa música.

Em tempo: Lena Machado se apresenta sábado (3 de abril) no Clube do Choro Recebe. Leia mais aqui.

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Victor Castro Trio e Rui Mário – fino trato no Clube do Choro

O encontro do “Victor Castro Trio” com o jovem acordeonista Rui Mário será seguramente um encontro de virtuoses.
Juntar em um só palco instrumentistas da estirpe de Victor Castro, violonista e guitarrista português, radicado em São Luís, premiado na Europa e no Brasil, ao baixista Mauro Sérgio, hoje considerado pela crítica especializada, um dos maiores contrabaixistas do país, e ao baterista Isaías Alves, jovem batera, premiadíssimo em diversos festivais nacionias e internacionais, capa das principais revistas de bateria, já seria demais. Talento em demasia na mesma hora e no mesmo palco.
Mas não será apenas. Esses três jovens instrumentistas integram o “Victor Castro Trio”, que será o grupo anfitrião da 110ª. edição do projeto Clube do Choro Recebe, no próximo sábado, dia 27 de março.

Mas como para todo anfitrião, e no Clube do Choro não é diferente, tem sempre um convidado a ser recebido. O convidado desse trio de virtuoses não fará por menos. Será outro jovem instrumentista de extremado talento, que já começa a chamar a atenção Brasil afora, o acordeonista Rui Mário. Esse rapaz, filho do S. Raimundinho, já pode figurar sem dúvida nenhuma, na galeria dos maiores safoneiros brasileiros, dos mais refinados, diga-se de passagem.

É daqueles encontros que não dá pra perder. Leia mais, abaixo, no texto da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão:

QUATRO VEZES MÚSICA (OU: UM QUARTETO FANTÁSTICO)

Victor Castro Trio receberá Rui Mário em encontro que promete entrar para a história do choro do Maranhão.

Altas doses de virtuosismo darão a tônica do quarto sarau do Clube do Choro Recebe em 2010. O Victor Castro Trio recebe o acordeonista Rui Mário. O grupo é formado pelo português Victor Castro (violão, guitarra, guitarra portuguesa), Mauro Sérgio (contrabaixo) e Isaías Alves (bateria).

O domínio da técnica destes quatro músicos, cada um, destaque no cenário maranhense em seu instrumento, e o improviso correrão solto, mostrando ao público presente seus talentos individuais e coletivo.

Escola de Música – Os quatro virtuoses têm em comum a Escola de Música do Maranhão Lilah Lisboa: todos passaram por lá; Victor Castro e Mauro Sérgio são professores da EMEM.

Natural de Portugal, radicado no Brasil, Victor Castro já ficou por duas vezes com o segundo lugar no Festival Internacional de Interpretação Violonística. Tem formação erudita, mas já conta com grande vivência na área da música popular instrumental brasileira. Isaías Alves já foi premiado em diversos festivais internacionais de bateria e Mauro Sérgio foi músico destaque do São Luís Cover Baixo, festival que reuniu diversos contrabaixistas brasileiros e estrangeiros na capital maranhense.

“A ideia do Victor Castro Trio é difundir a música popular brasileira, fazendo releituras e arranjos inéditos e característicos do grupo, sobre temas de um vasto repertório que inclui Tom Jobim, Chico Buarque, Guinga, Ary Barroso, Garoto, Pixinguinha, Ernesto Nazaré, entre outros grandes ícones da música”, anuncia o português.

Rui Mário – Acordeonista e tecladista, Rui Mário traz a música no sangue: é filho de Seu Raimundinho, sanfoneiro conhecido de longa data por quem aprecia forró de qualidade, o chamado pé de serra. Versátil, passeia com desenvoltura por estilos diversos, como choro, forró, tango e a música popular.

Unanimidade, o garoto prodígio do acordeom maranhense já tocou, em discos e shows de artistas como Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Gildomar Marinho e Lena Machado, entre outros. Se Dominguinhos encantou ao saudoso Luiz Gonzaga, Rui Mário despertou a atenção do afilhado do rei do baião em encontro recente que os dois tiveram, história que certamente será contada por Ricarte Almeida Santos, radialista, produtor e apresentador do Clube do Choro Recebe.

Ele antecipa: “A apresentação promete entrar para a história do choro do Maranhão, espero que não pela raridade, mas por ser o primeiro encontro, num palco, destes quatro músicos fenomenais. Vai virar uma daquelas histórias que quando a gente conta, quem perdeu só pode se perguntar: ‘onde é que eu estava?’, provoca.

O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF) e parceria da Solar Consultoria.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 110ª. edição – 4ª. em 2010.
Quem: o grupo Victor Castro Trio recebe o acordeonista Rui Mário.
Quando: dia 27 de março (sábado), às 19h30min.
Onde: Associação do Pessoal da Caixa (APCEF), Rua José Luiz Nova da Costa, Calhau (em frente ao Barramar).
Quanto: R$ 10,00 (entrada).
Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF).
Parceria: Solar Consultoria.

Patativa de virose, Milla Camões no Clube do Choro

Acometida por uma forte virose, dessas aí que derrubam todo mundo, a compositora Patativa nos informou ontem à noite não ter as mínimas condições de subir ao palco neste sábado, como foi amplamente divulgado. Fica pois adiada apresentação de Patativa para uma nova oportunidade, logo que ela esteja prontamente recuperada.

Quem será recebida então pelo versátil grupo Urubu Malandro será a jovem e talentosíssima cantora Milla Camões. Seu grande talento, belíssimo repertório, domínio de voz e do palco fazem de Milla uma das mais apuradas cantoras que já surgiram por estas bandas de cá.

Leia mais, abaixo, no release da assessoria de imprensa do Clube do Choro:

MILLA CAMÕES SUBSTITUI PATATIVA NO CLUBE DO CHORO RECEBE

Radicada no Maranhão, a cantora carioca Milla Camões substitui a compositora Patativa, sábado, no Clube do Choro Recebe. Patativa está acometida de forte gripe.

Acometida por uma forte gripe, a compositora Patativa foi obrigada a adiar sua apresentação no Clube do Choro Recebe, agendada para amanhã, 13.

Quem sobe ao palco, acompanhada pelo grupo Urubu Malandro, é a cantora carioca Milla Camões.

Versátil, passeando entre choro, samba, bossa e jazz, entre outros gêneros, equilibrando-se entre o tradicional, o moderno e o regional, ela promete uma apresentação vibrante e divertida, características do regional que a acompanhará.

Arlindo Carvalho (percussão), Caio Carvalho (percussão), Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco e Osmar do Trombone desfilarão um repertório de clássicos do choro e prometem momentos dançantes.

Festivais e prêmios – Cantora talentosa e afinada, Milla Camões está gravando seu disco de estreia, que tem direção musical do violonista Celson Mendes. Em janeiro passado, ao lado do cantor Adão Camilo, ela venceu, com a música Mascarados namorados (Henrique e Marco Duailibe), o 9º. Festival Maranhense de Música Carnavalesca, promovido pelo Sistema Mirante. Com Os pais do sertão (Carlinhos Carvalho) venceu o Festival de Música de Pinheiro (FESMAP), em 2006.

Por dois anos consecutivos, em 2006 e 2007, Milla Camões venceu o Prêmio Universidade FM na categoria Talento da Noite. Em 2007 realizou turnê pelos Açores (Ilha Terceira, Portugal), com Fernando de Carvalho e os violonistas Luiz Jr. e Victor Castro.

O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF) e parceria da Solar Consultoria.

[foto: Pedro Araújo]
SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 108ª. edição – 2ª. em 2010.
Quem: o grupo Urubu Malandro recebe a cantora Milla Camões.
Quando: dia 13 de março (sábado), às 19h30min.
Onde: Associação do Pessoal da Caixa (APCEF), Rua José Luiz Nova da Costa, Calhau (em frente ao Barramar).
Quanto: R$ 10,00 (entrada).
Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa (APCEF).
Parceria: Solar Consultoria.

Tem Patativa no Clube do Choro

Uma das mais importantes compositoras do Maranhão está de volta ao mais chorísticos dos palcos da Ilha. Depois da sua festejada estréia, em 20 de dezembro de 2008, Maria do Socorro Silva – a Patativa – se apresenta novamente no projeto Clube do Choro Recebe.

Patativa, apesar de ter uma vasta obra musical, de forte veio sambista, é ainda muito pouco gravada por nossos intérpretes. Aliás, uma grande lacuna nesse sentido é a, ainda, inexistência de um disco seu.

A cantora Lena Machado, em seu recente cd Samba de Minha Aldeia, dá uma pequena mostra da beleza das crias da velha e boa compositora. Com particiapação especial da dupla Zé da Velha e Silvério Pontes, Lena gravou de Patativa, a belíssima Colher de Chá. Mas há ainda muitas belezas de Patativa a serem mostradas e conhecidas. Algumas bem jocosas.

Sábado próximo, dia 13, o Clube do Choro do Maranhão oferece mais uma oportunidade. Leia mais sobre no texto abaixo, do jornalista Zema Ribeiro, da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão.

URUBU MALANDRO E O AR DA GRAÇA DE PATATIVA

Presença alegre de Patativa levará, com o Urubu Malandro, choro, samba e bom humor ao Clube do Choro Recebe.

A primeira edição do Clube do Choro Recebe em 2010, acontecida sábado passado (6), mostrou que o projeto já está consolidado na vida boêmio-cultural da capital maranhense. Com diversas outras atrações espalhadas pela cidade, o público, fiel, lotou o espaço da Associação do Pessoal da Caixa (Calhau), que volta a ser o palco do Clube do Choro do Maranhão. O cantor e compositor Carlinhos Veloz brindou os presentes com um belíssimo show, com o repertório variando entre temas de samba e choro, além de canções de sua autoria. Entre as canjas, destaques para Osmar do Trombone, Léo Capiba, Luiz Cláudio e Luiz Jr. (Duo Sound), Augusto Pellegrini, João Neto e Isaac Barros.

“Esse retorno superou todas as expectativas. Ainda temos que trabalhar em alguns ajustes, para receber ainda melhor o público, que esperamos manter, em número e qualidade”, afirma Ricarte Almeida Santos, radialista, produtor e apresentador do projeto.

Para a segunda edição do projeto em 2010 – já são 108 no total – o brilho da presença da madre-divina dama Patativa, compositora que aos mais de 70 anos, começa a ter o merecido reconhecimento do público. Ainda que lentamente. Recentemente, ela teve sua Colher de chá gravada por Lena Machado em Samba de Minha Aldeia, seu segundo disco, recém-lançado. Colher de chá é certamente seu segundo samba mais conhecido, cantado por quantos frequentem rodas de choro e samba pela Madre Deus e arredores ou no palco do Clube do Choro Recebe. A peça mais famosa da lavra de Patativa tem título impublicável, mas a plateia certamente irá ouvi-la nesta segunda apresentação que a compositora faz no projeto – a primeira foi em sua 62ª. edição, em dezembro de 2008.

Reverenciada por nomes como Cesar Teixeira, Rita Ribeiro – que em dueto cantaram Colher de chá em concorridas apresentações no projeto Brasil de Todos os Sambas, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro, em 2004 – e Jorge Aragão – que no disco de estreia de Serrinha e Cia. cantava “Patativa vem sambar, oh, na palma da mão”, no samba Uns e Alguns, de que participa – Patativa será acompanhada pelo grupo Urubu Malandro, que segura a peteca de sua jocosidade.

Também é divertidíssima essa turma que acompanhará Patativa em seus sambas e marchas, em grande parte com letras engraçadíssimas onde não falta duplo sentido, com inteligência: Arlindo Carvalho (percussão), Caio Carvalho (percussão), Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco e Osmar do Trombone. São os mesmos chorões que já acompanharam a compositora em sua primeira aparição no palco do Clube do Choro Recebe.

O projeto Clube do Choro Recebe tem apoio cultural de TVN São Luís e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 108ª. edição – 2ª. em 2010.
Quem: o grupo Urubu Malandro recebe a compositora Patativa.
Quando: dia 13 de março (sábado), às 19h30min.
Onde: Associação do Pessoal da Caixa (APCEF), Rua José Luiz Nova da Costa, Calhau (em frente ao Barramar).
Quanto: R$ 10,00 (entrada).
Maiores informações: clubedochorodomaranhao@gmail.com e/ou ricochoro@hotmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Rádio Universidade FM e Associação do Pessoal da Caixa – APCEF.
Parceria: Solar Consultoria.

Clube do Choro do Maranhão: "o bom filho à casa torna"

O ano era 2002. Foi realizado em São Luís o primeiro – e único – Festival Internacional de Música de São Luís. Aquele Festival, assim mesmo com “F” maiúsculo, seguramente tenha sido o mais importante acontecimento musical do Maranhão.

Não se tem registro na história da cidade ou do estado de um evento naquelas proporções e qualidade. A cidade respirou música por todos os cantos, ruas, praças, bairros, auditórios, fontes, igrejas, bares, etc. Músicos locais, nacionais e internacionais perambulavam pelas ruas de São Luís.

Você saía por aí e se deparava com um Heraldo do Monte estraçalhando em sua guitarra, em plena Fonte do Ribeirão; seguia em frente e logo ali, pela praça Nauro Machado, se deliciava com a “menor big band do mundo”, a dupla Zé da Velha e Sivério Pontes; subia em direção à praça Benedito Leite, e se emocionava com as harmonias bossanovistas em perfeitas sincronia e dissonâncias de Os Cariocas; se se dirigisse rumo ao Convento das Mercês, você poderia ficar frente a frente com uma majestosa Orquestra da Romênia, em concerto do pianista e maestro brasileiro Arthur Moreira Lima; ao entrar numa das muitas salas do dito – e apropriado – Covento, você poderia se deparar com um Chiquinho França, virtuose ao bandolim, ou com o genial Hamilton de Holanda; se fosse à casa de um amigo chorão, você quem sabe ficaria lado a lado, numa roda de choro, com um Paulinho da Viola, ou com um Jorge Cardoso, com o mestre Felipe; se você despretensiosamente saísse apenas pra tomar uma cerveja em um barzinho da Praia Grande, ainda assim você poderia ser surpreendido por uma canja especial de Ed Motta. Isso só pra lembrar algumas das situações que presenciei assim, fácil, fácil. Mas era muito, mas muito mais.

Essa era a ambiência, que deixou saudades e que inspirou a fundação do Clube do Choro do Maranhão. Naquele ano, em uma reunião na Associação do Pessoal da Caixa, no Calhau, foi fundado o nosso Clube do Choro. João Pedro Borges, Francisco Solano, Juca do Cavaco, Paulo Trabulsi, Serra de Almeida, Zeca do Cavaco, Ricarte Almeida Santos, dentre outros, estiveram presentes naquele encontro político-organizativo.

Naquela Associação também foram organizados os primeiros saraus do então recém-fundado Clube do Choro. Foram muitas as quintas-feiras de choro, alegria e grandes encontros. Lembro do mestre João Pedro Borges, lá, todas as quintas, organizando tudo, passando o som, esclarecendo ao público sobre a cultura do Choro, um luxo. Por lá passaram nomes como Jorge Cardoso, Silvério Pontes, Ivanildo Sax de Ouro, além dos nossos chorões da Ilha.

Depois, as rodas do Clube do Choro se mudaram de malas e bagagens para o bar Terceiro Piso, na Cohama, de propriedade do violonista Celson Mendes. Um período curto, mas de intensa vivência chorística.

No entanto, o mais intenso, longo e produtivo capítulo da entidade chorona, foi o projeto “Clube do Choro Recebe”, que funcionou por dois anos e meio no bar e restaurante Chico Canhoto, no residencial São Domingos. Por lá, o sarau do Clube do Choro entrou paro o calendário semanal no imaginário coletivo da cidade. Foram mais de 100 (cem) edições semanais, congregando chorões, apreciadores, artistas das mais diversas vertentes musicais do Maranhão, do Brasil e do planeta. Noites inesquecíveis, que mexeram na cabeça de chorões e não chorões; que sacudiu a poeira de visões arcaicas sobre o choro, que rompeu preconceitos junto aos mais jovens, que revelou ao público novos e antigos nomes, que colocou o choro e a música instrumental na pauta dos bares de São Luís e no repertório de músicos, cantores e cantoras, enfim deu uma desarrumada legal na mesmice que imperava.

Depois de uma parada estratégica para as festas de ano novo e carnaval, finalmente o projeto “Clube do Choro Recebe” está de volta. E agora não mais no Chico Canhoto, onde a coisa ganhou corpo, boa acolhida e grande visibilidade. É que a casa fechou por motivos alheios à nossa vontade. Agora, no próximo sábado, dia 6 de março, como diz o título do Choro do Bonfíglio de Oliveira, “O bom filho à casa torna”. O projeto “Clube do Choro Recebe” está de volta à Associação do Pessoal da Caixa, no Calhau, onde tudo começou.

Os Saraus vão acontecer no salão principal, todo coberto, com brisa do mar, estacionamento próprio, todas as condições de conforto e segurança, como os chorões bem merecem.

E para o Sarau de estreia, a presença dos diversos grupos de choro e chorões outros, que desfilarão seus talentos instrumentais, em uma grande festa. Muitas serão as canjas também de cantores e cantoras. A noite encerrará com um grande show do cantor e compositor Carlinhos Veloz, acompanhado pelo tradicionalíssimo grupo Tira-Teima. No repertório, choro, samba, samba-choro, maxixe, baião, e as consagradas por Veloz, cujo fã-clube na cidade não é pequeno.

Assim, em grande estilo, será a retorno do Clube do Choro à Associação do Pessoal da Caixa. Que os Deuses da música estejam presentes. Amém!