Arquivo do mês: abril 2009

D. Xavier Gilles, um pastor de pena afiada, profética

Não é de hoje a postura comprometida, com as lutas populares, do atual Bispo de Viana. Desde quando era um simples padre em São Benedito do Rio Preto e em São José de Ribamar, nas décadas de 70 e 80, Xavier Gilles sempre foi um calo no sapato dos poderosos. Na época da ditadura, foi preso e processado como subversivo, uma ameaça à segurança nacional.

Hoje, bispo de Viana, presidente do Regional Nordeste 5 (Maranhão) da CNBB, presidente da CPT Nacional, D. Xavier continua caminhando e gritando ao lado dos mais fracos.

Na carta, abaixo, o Pastor mais uma vez bota o dedo na ferida e a boca no trombone. Xavier chama atenção para o momento delicado que se vive no Maranhão e no Brasil e da crescente ameaça de retrocesso aos Direitos Humanos e à Democracia.

Dono de um estilo claro e contundente, em sua última carta, o Dom traz algumas afirmativas do tipo: “(…) não vivemos num Estado de Direito pleno: com efeito, as leis republicanas não passam de uma ferramenta e de uma arma a ser utilizada para combater, condenar e neutralizar os adversários e os inimigos políticos, ao passo que parentes, amigos e aliados são isentados do respeito e da obediência às leis; e acobertados em casos de crimes. Vivemos num clima de permanente atentado à legalidade, em que, com menor ou maior habilidade, são resguardadas porém as aparências e as formalidades das instituições democráticas.”

Leia, pois, a íntegra da nota do Bispo.

Transtorno bipolar
Anotações pastorais sobre a conjuntura política do Maranhão.

“No meio da multidão, alguns fariseus disseram a Jesus: «Mestre, manda que teus discípulos se calem.» Jesus respondeu: «Eu digo a vocês: se eles se calarem, as pedras gritarão.»” (Lc 19, 39-40).

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Também neste momento grave e preocupante, em que assistimos a mudanças e transtornos institucionais no nosso Estado, não consegui me calar. Considero, com efeito, que é incômodo dever do pastor tentar, sobretudo em conjunturas difíceis, delicadas e desafiadoras como esta que estamos vivendo, buscar a verdade e colaborar na procura de horizontes e rumos favoráveis ao bem comum, à justiça e aos direitos, sobretudo dos mais humildes e esquecidos.

Os últimos acontecimentos políticos e judiciários nos revelam, mais uma vez e de modo incontestável, que não vivemos num Estado de Direito pleno: com efeito, as leis republicanas não passam de uma ferramenta e de uma arma a ser utilizada para combater, condenar e neutralizar os adversários e os inimigos políticos, ao passo que parentes, amigos e aliados são isentados do respeito e da obediência às leis; e acobertados em casos de crimes. Vivemos num clima de permanente atentado à legalidade, em que, com menor ou maior habilidade, são resguardadas porém as aparências e as formalidades das instituições democráticas.

No nosso País as instituições republicanas têm pouco mais de um século de vigência, mas somente nestes últimos vinte anos tentamos construir a nossa historia livres dos regimes de exceção e do estado de sítio.

Permanecem, todavia, ameaças à democracia vindas de setores elitistas reciclados no âmbito democrático após a ditadura militar e que nunca acreditaram no povo como gerador e garante dos poderes republicanos. Parece inegável, assim, a existência de uma rearticulação antidemocrática, que se insinua nos procedimentos jurídicos para subverter a legalidade e a verdade. A tradição monárquica de um Poder Executivo, prioritário e conciliador de instituições e interesses, permanece quase intacta. Poucos se preocupam com o fato que Juizes Federais e Estaduais sejam indicados e nomeados pelos mandatários políticos, atentando à constitutiva autonomia do Poder Judiciário.

Assistimos, assim, ao processo de criminalização dos movimentos sociais e dos defensores dos direitos humanos e, na lógica de dois pesos e duas medidas, ao tratamento privilegiado de “empresários” invasores de áreas indígenas.

Tenho mais um motivo de angustia: a lógica financeira domina as eleições e, o que é mais grave, se reforça em todos os partidos a convicção da inevitabilidade, ou pior, da naturalidade da corrupção, ao ponto que a corrupção virou sistêmica. Faz mister afirmar, lembrando Raimundo Faoro, que no Maranhão, ainda não temos Estado, mas um estamento; não temos respeito e serviço ao bem comum, mas articulações patrimonialistas.

O próprio Presidente do STF, Ministro Gilmar Mendes, afirmou recentemente que o financiamento público de campanhas eleitorais só será viável após uma reforma no sistema político do país. Segundo o Ministro, atualmente não seria possível evitar que os partidos políticos recebam recursos privados não declarados, para financiar as campanhas eleitorais. Desta forma, a Camargo Corrêa, junto com outros empresários e banqueiros, é sumariamente inocentada. Como todos são corruptos, logo todos são inocentes; ao ponto que podemos até enterrar a tradicional distinção entre corruptos e corruptores.

Deixe-me comunicar-lhes mais uma profunda inquietação: a política atual continua subjugada às estratégias populares de reprodução a vida e ao jogo de interesses das elites empresariais.

Podemos e devemos defender a política entendida como construção do bem comum, segundo as orientações da Doutrina Social da Igreja Católica, mas não podemos fechar os olhos diante da sua redução sistêmica à garantia de sobrevivência de boa parte da população do nosso Estado. Na absoluta maioria dos casos, a economia dos nossos municípios está nas mãos das prefeituras e a alternância de gestores, mais do que responder a um saudável princípio democrático, não passa de um expediente para privilegiar eleitores e excluir adversários do acesso às vagas do funcionalismo público.

É desta fonte que nascem as facções, sem consciência e sem inspiração ética e ideológica. É desta fonte que é gerada a violência política como meio extremo para defender a economia familiar. É desta fonte que vem a calmaria da movimentação social, silenciada ou cooptada – até nas suas lideranças mais expressivas – pelos governos.

Como podemos pensar o nosso testemunho evangélico neste quadro tão tosco e sombrio? Como podemos acolher o dom divino da Esperança? Como podemos enxergar a presença do Reino de Jesus nos caminhos da história? Como podemos testemunhar a Páscoa de Ressurreição – e a insurreição das consciências – para construirmos caminhos de fraternidade, liberdade e justiça.

Antes de tudo, devemos apostar na capacidade das nossas comunidades de evangelizar e testemunhar a fé que a historia humana e a historia do Maranhão estão nas mãos de Deus. Como nos diz Paulo num trecho da Carta aos Romanos, cap. 8, vv. 18-23:
“18 Penso que os atuais sofrimentos não se comparam a gloria futura que em nós se revelará 19 A própria criação espera, com impaciência, a revelação dos filhos de Deus. 20 Entregue ao poder do nada – não por sua vontade, mas por vontade de quem quis submetê-la, –, a criação hospeda a esperança 21 porque ela também será libertada da escravidão da corrupção, para participar da liberdade e da glória dos filhos de Deus.
22 Sabemos que a criação toda geme e sofre as dores do parto até hoje. 23 E não só a criação, mas nós também, que possuímos as primícias do Espírito, gememos no nosso íntimo, esperando a adoção e a libertação do nosso corpo.”

Porque temer? O medo que pode paralisar a nossa fala e o nosso testemunho foi derrotado pela fé pascal em Cristo Jesus.

Recomendo, enfim, que possa continuar a nossa colaboração com a Campanha “Ficha limpa” e com o Movimento contra a corrupção eleitoral e administrativa. O meu apelo e a minha bênção especial vão agora para as nossas valiosas Pastorais Sociais: possam ser parteiras da gestação do Reino na nossa sociedade, propiciando o protagonismo dos pobres e dos nossos povos.

A minha bênção a todos vocês irmãs e irmãos em Cristo, junto com os votos de uma Páscoa santa e libertadora.

Dom Xavier Gilles
Bispo de Viana
Presidente da CNBB NE V

São Luís do Maranhão, 13 de abril de 2009

Cassado o prefeito de São Mateus

Soube agora há pouco, por fontes fidedígnas, que o prefeito “eleito” de São Mateus, Coronel Rovélio, acaba de ser cassado pela justiça. A cidade está em festa. O povo tomou conta das ruas.

Ainda cabe recurso, mas as provas contra o prefeito cassado são robustas e abundantes. Vamos aguardar o desfecho dos acontecimentos.

Vale lembrar que em São Mateus, após o resultado das urnas, houve um levante popular de grande repercussão. Com a cassação do Coronel quem assume é o advogado e jornalista Miltinho Aragão.

Em breve voltaremos com mais informações sobre o caso.

Jorge Moreno e Paulo Henrique Amorim

Aposentado compulsoriamente pelo “egrégio” TJ-MA, o juiz Jorge Moreno concedeu entrevista ao Jornalista Paulo Henrique Amorim. Veja neste link o resultado da conversa e tire suas conclusões sobre o caráter do Judiciário Maranhense. Se é que ainda não tem.

Alexandra Nicolas no Clube do Choro

Depois de alguns anos afastada dos palcos, a cantora Alexandra Nicolas está de volta. Será a convidada do projeto Clube do Choro Recebe, neste sábado, dia 11 de abril, quando será acompanhada pelo versátil Instrumental Pixinguinha. Veja maiores detalhes no texto abaixo, da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão.


MALHAÇÃO DE CHORO

Sábado de aleluia é sábado de choro em São Luís: o Instrumental Pixinguinha recebe a cantora Alexandra Nicolas no palco do Clube do Choro Recebe. Nem feriado nem dia santo: sábado de aleluia é sábado de choro em São Luís.

É o Clube do Choro Recebe, que em sua 76ª. edição promove o encontro entre os talentos do Instrumental Pixinguinha, um dos mais versáteis grupos de choro da capital maranhense, com a cantora Alexandra Nicolas, que também esbanja versatilidade. Domingos Santos (violão sete cordas), João Neto (flauta), Juca do Cavaco, Lazico (percussão) e Raimundo Luiz (bandolim) receberão a cantora que passeará por um repertório das décadas de 30 e 40 do século passado, para lembrar a áurea época do rádio brasileiro.

Alexandra Nicolas começou cedo na música: acompanhava o pai em rodas de choro e samba e, aos 17 anos, já se apresentava em São Luís, com bilheterias esgotadas em espaços como a Éden Galeria, Teatro Alcione Nazaré e Hotel Quatro Rodas. Já gravou com nomes como Hilton Assunção, Marcelo Carvalho, Pepê Jr., Papete e Beto Pereira, entre outros. Sua apresentação, neste sábado (11), é um reencontro com os palcos maranhenses.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM e JL Studios e parceria da Solar Consultoria.

SERVIÇO
O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 76ª. edição.
Quem: o grupo Instrumental Pixinguinha recebe a cantora Alexandra Nicolas.
Quando: dia 11 de abril (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 6,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line, Rádio Universidade FM e JL Studios. Parceria: Solar Consultoria.

*crédito foto: divulgação

Samba de uma nota triste: Morreu S. Vieira

“O Samba é bom, melhor sou eu que gosto dele”. São os versos de uma das mais de 400 criações do mestre Antonio Vieira. O samba é bom, mas também pode ser triste.

Morreu nesta manhã de terça feira, 7 de abril, às vésperas de completar 89 anos, um dos maiores compositores da Música Brasileira, o mestre maranhense Antonio Vieira.

Eu prefiro ficar com as imagens da expressão do vigor e da sua alegria musical. Sua última apresentação no Clube do Choro do Maranhão foi bem assim. Integrante que era do grupo Urubu Malandro, o mestre Vieira soltou a voz no Clube do Choro, dia 14 de março, alegrando e encantando todos os presentes. Agora seu Veira é saudade.

Virou definitivamente um “Poema para o Azul”.

[Fotos: Acervo Clube do Choro do Maranhão]