Arquivo do mês: março 2009

UM “SINHÔ” MÚSICO

Um dos grandes violonistas brasileiros em todos os tempos, João Pedro Borges, o Sinhô, é o convidado da 74ª. edição do Clube do Choro Recebe.

Experiência. Assim pode ser traduzido o encontro do sarau deste sábado, 28, quando se realizará a 74ª. edição do Clube do Choro Recebe, no Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama), a partir das 19h.

O Regional Tira-Teima, mais antigo

grupo de choro em atividade em São Luís, receberá o não menos hábil e ágil João Pedro Borges, um dos grandes nomes do violão do Brasil e do mundo.

Após passar por várias formações, o Regional Tira-Teima hoje conta com os afinados Paulo Trabulsi (cavaquinho solo), Zeca do Cavaco (cavaquinho centro), Francisco Solano (violão sete cordas), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (percussão).

Sinhô – apelido que João Pedro Borges ganhou ainda na adolescência – integra a tríade sacrossanta do violão maranhense, ao lado de Joaquim Santos, de quem foi professor, e Turíbio Santos, de quem foi aluno. Outro professor seu foi Jodacil Damasceno. Entre os alunos, diversos nomes do violão e da música popular brasileira: Raphael Rabello, Guinga, Cesar Teixeira e Josias Sobrinho, entre outros.

DISCOGRAFIA – Ao lado de Turíbio Santos, gravou diversos discos, merecendo destaque Choros do Brasil (1977) e Valsas e Choros (1979), onde os dois dão novas luzes à obra de nomes como Dilermando Reis, Heitor Villa Lobos, Ernesto Nazareth e João Pernambuco, entre outros.

Em 1985, com participação do compositor, gravou o disco A obra para violão de Paulinho da Viola, disco-brinde nunca relançado em cd. Foi um dos dois maranhenses integrantes, em tempos distintos (o outro foi Joaquim Santos), da Camerata Carioca, do genial Radamés Gnattali, grupamento responsável por inovadoras revoluções na estética musical do choro. Tributo a Jacob do Bandolim (1979) e Vivaldi e Pixinguinha (1980) são alguns dos títulos lançados pela Camerata Carioca tendo Sinhô ao violão. Outros clássicos da música brasileira que contam com a participação especial do músico são Mistura e manda (Paulo Moura, 1983) e Shopping Brazil (Cesar Teixeira, 2004).

Atualmente, diretor da Escola de Música do Estado do Maranhão Lilah Lisboa de Araújo, João Pedro Borges já morou na França, onde realizou concertos em diversos palcos importantes daquele país. Em 2009 realizará 80 apresentações no projeto Sonora Brasil, do SESC. Nestes concertos, o repertório será de temas eruditos.

Sua apresentação no Clube do Choro Recebe trará composições de nomes como Dilermando Reis, João Pernambuco, Heitor Villa Lobos, Paulinho da Viola, Ernesto Nazareth, além de temas autorais, incluindo a valsa Maria Luiza, composta em homenagem à filha do amigo Ricarte Almeida Santos, coordenador do Clube do Choro Recebe e apresentador do Chorinhos e Chorões (domingo, às 9h, na Rádio Universidade FM, 106,9MHz, http://www.universidadefm.ufma.br/). A apresentação terá participação especial do violonista Luiz Jr.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 74ª. edição.
Quem: o Regional Tira-Teima recebe o violonista João Pedro Borges.
Quando: dia 28 de março (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).
Quanto: R$ 6,00 (entrada).
Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com
Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM.
Parceria: Solar Consultoria.

[texto de Zema Ribeiro, da Assessoria de Imprensa do Clube do Choro]
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CLUBE DO CHORO DO MARANHÃO: NOTA URGENTE




Zeca do Cavaco(foto) substituirá Cláudio Lima

Acidentado, Cláudio Lima será substituído por Zeca do Cavaco na 73ª edição do Clube do Choro Recebe, neste sábado (21).

Por motivo de força maior, o cantor Cláudio Lima não poderá se apresentar na 73ª. edição do Clube do Choro Recebe. O artista está internado após um acidente e será submetido a uma cirurgia. O Clube do Choro do Maranhão deseja sua imediata recuperação e anunciará em breve nova data para seu show no projeto, já tradicional no calendário cultural ludovicense.

Convidado em cima da hora, o cantor Zeca do Cavaco aceitou o desafio de cantar, quase sem ensaio, acompanhado pelo grupo Choro Pungado. A rapaziada se garante: Zeca integrou o Quinteto Calibrado, grupo de choro de proposta musical parecida com a do Pungado, que tem em Rui Mário (sanfona) e Luiz Cláudio (percussão), integrantes comuns.

Dono de voz firme e repertório sofisticado, de Zeca do Cavaco o público presente pode esperar também uma apresentação de qualidade.

O Clube do Choro do Maranhão aproveita esta nota urgente também para agradecer a receptividade do público e dos meios de comunicação para com o projeto e reafirmar o desejo de todos os seus membros pela rápida recuperação do jovem talentoso que é Cláudio Lima, sem dúvidas, desde sempre, um importante personagem na galeria diversa da música maranhense.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 73ª. edição.

Quem: o grupo Choro Pungado recebe o cantor Zeca do Cavaco.

Quando: dia 21 de março (sábado), às 19h.

Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).

Quanto: R$ 6,00 (entrada).

Maiores informações: pelo telefone [98] 3252-1219 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com

Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM.

Parceria: Solar Consultoria.

[nota: texto da Assessoria de Imprensa do Clube do Choro do Maranhão]

Choro Pungado e Cláudio Lima no Clube do Choro

choro pungado

cláudio lima

Eis aí uma excelente pedida para os apreciadores do fino da boa música brasileira. Leia o reliase abaixo da assessoria de imprensa do Clube do Choro do Maranhão e sinta-se convidado/a.

CANTO E CHORO MODERNOS


Cláudio Lima e Choro Pungado apresentarão roupagens modernas para clássicos do choro brasileiro e da música maranhense no Clube do Choro Recebe.

Um encontro de inventividades. Assim bem poderia ser definida a 73ª. edição do Clube do Choro Recebe, que este sábado (21) reunirá no palco os talentosíssimos instrumentistas do Choro Pungado e o cantor Cláudio Lima, para quem o adjetivo também é válido.

Se por um lado João Neto (flauta), Luiz Cláudio (percussão), Luiz Jr. (violões de seis e sete cordas), Robertinho Chinês (bandolim e cavaquinho) e Rui Mário (sanfona) formam um dos mais inventivos grupamentos de choro em atividade no Maranhão – ao mesclar o choro a elementos da cultura popular maranhense, além do tango argentino –, por outro, Cláudio Lima repaginou de modernidade os ritmos do Maranhão em seu homônimo disco de estreia (2001): O samba é bom (Antonio Vieira) e Dente de ouro (Josias Sobrinho) ganharam loops eletrônicos; Ray-ban (Cesar Teixeira), então gravada pela primeira vez, antes mesmo do registro do compositor, tinha ares de blues. Em Cada mesa é um palco (2006), o repertório valoriza a fossa – nova, frise-se. No disco, a voz de Cláudio Lima é acompanhada predominantemente pelo piano do baiano Rubens Salles – aqui e ali surgem outros instrumentos em composições de Cesar Teixeira (Bis, música do verso-título), Herivelto Martins (Caminhemos), Tom Zé (Minha carta), Bruno Batista (Despedida) e Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira (Assum preto), entre outros.

HISTÓRIA – Por serem raras as apresentações de Cláudio Lima, o show já vale o ingresso. Vale lembrar que o Choro Pungado surgiu como Quartetaço – a formação original não tinha Robertinho Chinês, literalmente o caçula do grupo – para acompanhar o cantor Bruno Batista, quando de sua apresentação no Clube do Choro Recebe, que contou com a participação de Cláudio Lima. Os dois cantores haviam realizado recentemente em São Luís o show Hein?, sucesso de público e crítica.

O Projeto Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem, Honda Gran Line e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. A entrada custa apenas R$ 6,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 73ª. edição.
Quem: o grupo Choro Pungado recebe o cantor Cláudio Lima.
Quando: dia 21 de março (sábado), às 19h.
Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).Quanto: R$ 6,00 (entrada)

Nota da CPT: Quem é Gilmar Mendes!

Quem é este homem que insiste em aparecer na grande mídia como paladino do direito, como arauto da moralidade, como timoneiro da justiça?

Ele tem sempre um bom receituário de boa conduta prontinho para oferecer para os outros. Está sempre disposto a manifestar sua balizada e superior opinião sobre os mais variados temas da República. Sobre o Executivo(especialmente sobre o Governo Lula), sobre o Legislativo, sobre as organizações sociais tem sempre uma crítica na ponta da língua. Só não tolera opiniões contrárias às suas e muito menos que critiquem sua conduta, ainda que ela destoe da sua função de alto magistrado.

Pois a CPT – Comissão Pastoral da Terra – nos ajuda a compreender melhor quem é esse homem, tão zeloso do direito e da justiça. Tão preocupado em se manifestar publicamente em alguns momentos estratégicos da nossa vida política. Embora, sempre do lado dos poderosos e apaniguados.

Leia o teor da nota, abaixo, assinada por D. Xavier Gilles, presidente nacional da CPT, que acaba de ser publicada, revelando um pouco do perfil do presidente da mais elevada corte da nossa justiça.

“Ai dos que coam mosquitos e engolem camelos” (MT 23,24)

Nota Pública sobre as declarações do presidente do STF, Gilmar Mendes

A Coordenação Nacional da CPT diante das manifestações do presidente do STF, Gilmar Mendes, vem a público se manifestar.

No dia 25 de fevereiro, à raiz da morte de quatro seguranças armados de fazendas no Pernambuco e de ocupações de terras no Pontal do Paranapanema, o ministro acusou os movimentos de praticarem ações ilegais e criticou o poder executivo de cometer ato ilícito por repassar recursos públicos para quem, segundo ele, pratica ações ilegais. Cobrou do Ministério Público investigação sobre tais repasses. No dia 4 de março, voltou à carga discordando do procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, para quem o repasse de dinheiro público a entidades que “invadem” propriedades públicas ou privadas, como o MST, não deve ser classificado automaticamente como crime.O ministro, então, anunciou a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do qual ele mesmo é presidente, de recomendar aos tribunais de todo o país que seja dada prioridade a ações sobre conflitos fundiários.
Esta medida de dar prioridade aos conflitos agrários era mais do que necessária. Quem sabe com ela aconteça o julgamento das apelações dos responsáveis pelo massacre de Eldorado de Carajás, (PA), sucedido em 1996; tenha um desfecho o processo do massacre de Corumbiara, (RO), (1995); seja por fim julgada a chacina dos fiscais do Ministério do Trabalho, em Unaí, MG (2004); seja também julgado o massacre de sem terras, em Felisburgo (MG) 2004; o mesmo acontecendo com o arrastado julgamento do assassinato de Irmã Dorothy Stang, em Anapu (PA) no ano de2005, e cuja federalização foi negada pelo STJ, em 2005.
Quem sabe com esta medida possam ser analisados os mais de mil e quinhentos casos de assassinato de trabalhadores do campo. A CPT, com efeito, registrou de 1985 a 2007, 1.117 ocorrências de conflitos com a morte de 1.493 trabalhadores. (Em 2008, ainda dados parciais, são 23 os assassinatos). Destas 1.117 ocorrências, só 85 foram julgadas até hoje, tendo sido condenados 71 executores dos crimes e absolvidos 49 e condenados somente 19 mandantes, dos quais nenhum se encontra preso. Ou aguardam julgamento das apelações em liberdade, ou fugiram da prisão, muitas vezes pela porta da frente, ou morreram.
Causa estranheza, porém, o fato desta medida estar sendo tomada neste momento. A prioridade pedida pelo CNJ será para o conjunto dos conflitos fundiários ou para levantar as ações dos sem terra a fim de incriminá-los? Pelo que se pode deduzir da fala do presidente do STF, “faltam só dois anos para o fim do governo Lula”… e não se pode esperar, “pois estamos falando de mortes” nos parece ser a segunda alternativa, pois conflitos fundiários, seguidos de mortes, são constantes. Alguém já viu, por acaso, este presidente do Supremo se levantar contra a violência que se abate sobre os trabalhadores do campo, ou denunciar a grilagem de terras públicas, ou cobrar medidas contra os fazendeiros que exploram mão-de-obra escrava?

Ao contrário, o ministro vem se mostrando insistentemente zeloso em cobrar do governo as migalhas repassadas aos movimentos que hoje abastecem dezenas de cidades brasileiras com os produtos dos seus assentamentos, que conseguiram, com sua produção, elevar a renda de diversos municípios, além de suprirem o poder público em ações de educação, de assistência técnica, e em ações comunitárias. O ministro não faz a mesma cobrança em relação ao repasse de vultosos recursos ao agronegócio e às suas entidades de classe.

Pelas intervenções do ministro se deduz que ele vê na organização dos trabalhadores sem terra, sobretudo no MST, uma ameaça constante aos direitos constitucionais.

O ministro Gilmar Mendes não esconde sua parcialidade e de que lado está. Como grande proprietário de terra no Mato Grosso ele é um representante das elites brasileiras, ciosas dos seus privilégios. Para ele e para elas os que valem, são os que impulsionam o “progresso”, embora ao preço do desvio de recursos, da grilagem de terras, da destruição do meio-ambiente, e da exploração da mão de obra em condições análogas às de trabalho escravo. Gilmar Mendes escancara aos olhos da Nação a realidade do poder judiciário que, com raras exceções, vem colocando o direito à propriedade da terra como um direito absoluto e relativiza a sua função social. O poder judiciário, na maioria das vezes leniente com a classe dominante é agílimo para atender suas demandas contra os pequenos e extremamente lento ou omisso em face das justas reivindicações destes. Exemplo disso foi a veloz libertação do banqueiro Daniel Dantas, também grande latifundiário no Pará, mesmo pesando sobre ele acusações muito sérias, inclusive de tentativa de corrupção.

O Evangelho é incisivo ao denunciar a hipocrisia reinante nas altas esferas do poder: “Ai de vocês, guias cegos, vocês coam um mosquito, mas engolem um camelo” (MT 23,23-24).

Que o Deus de Justiça ilumine nosso País e o livre de juízes como Gilmar Mendes!

Goiânia, 6 de março de 2009

Dom Xavier Gilles de Maupeou d’Ableiges
Presidente da Comissão Pastoral da Terra

"O CHORO" e o (não)prefácio de Catullo

Catullo

O Animal
O Choro. É o título da primeira publicação(1936) escrita sobre os nossos precursores chorões. A árdua tarefa coube ao carteiro Alexandre Gonçalves Pinto, O Animal – como era conhecido. Homem simples, de pouca leitura e, por conseguinte, de frágil escrita.
Mas, envolvido que era por aquela atmosfera boêmia e musical, que marcou o final do século XIX e o início do XX – período do surgimento do Choro, o gênero – na cidade do Rio de Janeiro, o velho carteiro chamou para si a missão de registrar as “reminiscências dos chorões antigos” em livro.
É claro que foi uma obra simples, porém fundamental. Pois dá conta de registrar para posteridade informações, estórias e curiosidades dos primeiros chorões que corriam o risco de cair no esquecimento. Além de ser efetivamente a primeira obra escrita sobre o Choro no Brasil. Indispensável aos pesquisadores da música brasileira. Daí também a sua grande importância.
Pois o Animal, ao concluir os trabalhos de “O Choro”, encaminhou sem o menor constrangimento ao, então, famoso amigo, poeta, compositor, cantor e, segundo alguns, chato, Catullo da Paixão Cearense, para que este fizesse o prefácio da “chorística” e nascente obra.
O poeta maranhense não fez por menos. Fez valer sua fama de Chatullo. Mandou ver uma severa e carinhosa – se é que é possível conciliar essas duas condições – crítica aos escritos do amigo, em um rebuscado bilhete, se negando a prefaciar o livro do Animal.
Ainda assim o singelo e principiante escritor de “O Choro” não se fez de rogado. Mandou publicar assim mesmo, como se fosse o prefácio de sua obra, o crítico bilhete de Chatullo, digo, Catullo.
Agora, que tive acesso a esse material, em versão digital, graças ao amigo e pesquisador Celijon Ramos, quero partilhar com mais pessoas, esse curioso bilhete-(não)prefácio do nosso Catullo da Paixão Cearense, publicado no primeiro livro escrito sobre o nosso Chorinho, “O Choro”, de Alexandre Gonçalves Pinto, o Animal.
Leia, abaixo, no português da época, o (in)delicado bilhete que virou prefácio:

ALEXANDRE

O prefacio que me pediste para o teu livro, fica para outra vez. Não te posso ser util nas correcções dos erros, porque só uma revisão geral poderia melhoral-o, o que é impossivel, depois de o teres quase prompto.

O leitor, porém, se deliciará com a sua leitura, fechando
os olhos aos desmantelos grammaticaes, revivendo comtigo a
historias desses chorões, que te ficarão devendo eternamente
o serviço que lhes prestas, arrancando-os do esquecimento. Só mesmo tu, com o teu grande coração, serias capaz de uma obra tão saudosa para os que, como eu, viveram naqueles tempos de immarcesciveis recordações.
Se, como penso, este livro tiver o acolhimento que merece, para fazeres uma segunda edição, prometto-te corrigil-o com muito carinho, auxiliando-te no que puder, para que a lista completa dos antigos e afamados chorões, resuscitados por ti com boas gargalhadas e lagrimas sentidas, pois é uma ineffavel satisfação percorrer todas as “sepulturas” deste cemitério de vivos na nossa memória. Pedes-me uma poesia para a abertura? Envio-te esta, “O Passado”, que vem a calhar.
E, para terminar, recebe o abraço do amigo velho, que não se cansará de felicitar-te pela lembrança feliz deste formoso, carinhoso e saudoso breviario dos dias da nossa festiva, alegre e rumorosa mocidade
CATULLO CEARENSE
Rio, 28/10/935

Em tempo: Catullo da Paixão Cearense é, também, o autor da letra da primeira composição brasileira considerada Choro, enquanto gênero, Flor Amorosa, com música de Joaquim Antônio Callado. Daí que tem maranhense no choro desde o começo. No livro do Animal e na composição do Callado.