Arquivo do mês: junho 2014

A copa, a presidenta e uma elite raivosa

Tenho todas as críticas à presidenta Dilma, sou inclusive de um partido de oposição ao governo, o PSol, entretanto, não posso parabenizar e aplaudir os que xingaram a presidenta. 

Achei de uma violência, de uma truculência os xingamentos desferidos contra a mulher Dilma, contra a MULHER. Experimente sair pelas ruas com sua mãe, sua mulher ou filha e alguém lhe dirigir xingamentos violentos e raivosos, como fizeram com a presidenta Dilma. Isso não tem a ver com luta por vida e direitos. A compreensão da luta por direitos não tem espaço pra esse tipo de violência. Isso tem mais a ver com a intolerância, com o machismo, com uma “elitezinha” de classe média raivosa que não sabe participar do debate político, público e aberto. O que sobra é grosseria, a estupidez, a cólera e a violência.

Criticar a presidenta, as opções do governo, a gestão pública, a corrupção, que também não foi uma propriedade só do PT, é direito de todos e todas e é necessário, é salutar. 

É direito até daqueles que hoje se arvoram de paladinos e paladinas moralistas, mas que sempre se locupletaram dos favores, das camaradagens, de esquemas de prefeituras, de secretarias, de governos municipais e/ou estaduais, enfim, de arranjos e desarranjos com o nosso suado dinheirinho público. 

Nas redes sociais é tanta gente “revoltada que dá gosto” e asco de ver de onde parte. Onde estava essa gente toda antes, que o Brasil já não seria o que é hoje. 

Mas alguns e algumas desses e dessas até responderam e/ou respondem processos judiciais, do mesmo jeito que os mensaleiros, por mau uso dos dinheiro público, por que se prestavam a operar esquemas entre amigos de governo, por que gostavam de uma indicaçãozinha de um parente, de uma amiga ou cacho em algum cargo público. 

Todo mundo agora vomita moralidade, digo, “moralismo”, mas bem que sempre gostou de um privilegiozinho às custas do erário. Ora me compre bode, o privilégio (que também chamamos de favor) é o inimigo, é a antítese dos direitos, é senha da corrupção. 

Para alguns que adoram se distinguir dos comuns mortais, e até escarnecer os mais pobres, o privilégio garantido por uma autoridade pública, por um figurão da política, lhe confere um “prestígio” danado, mas lhe faz também muito parecido com os tais “mensaleiros”, que gostam tanto de defenestrar. 

O que faz o crime não é o tamanho do roubo e nem cor do partido ou do governo ou da amizade do corrupto, mas o ato que viola o princípio da coisa pública. Coisas do tipo: favor com dinheiro público, empreguismo de parente, pagamento de propina e recebimento de propina, direcionar licitações, participar de esquemas com dinheiro público por menor que seja o montante, ou por “melhor” que sejam suas intensões e amizades.

E assim segue o Brasil da hipocrisia!Imagem

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