Arquivo do mês: dezembro 2008

Última edição em 2008 do projeto Clube do Choro Recebe terá Cesar Teixeira e Regional Tira-Teima, em clima de confraternização.


Regional Tira Teima foto: Pedro Araújo


foto: Pedro Araújo


O projeto Clube do Choro Recebe despede-se de seu público em 2008 em grande estilo. Reunirá no palco os bambas do Regional Tira-Teima, mais antigo grupamento de choro em atividade na capital maranhense, e Cesar Teixeira, um dos importantes personagens da vasta galeria de talentosos artistas que o Brasil tem.

Cesar, aliás, é membro fundador do Regional Tira-Teima, cuja formação atual é Francisco Solano (violão sete cordas), Paulo Trabulsi (cavaquinho), Serra de Almeida (flauta) e Zé Carlos (pandeiro). Pelo grupo já passaram nomes como Ubiratan Sousa, Chico Saldanha e Antonio Vieira, entre outros.

A apresentação de Cesar Teixeira terá a participação especial de Eudes Américo, sobre quem o primeiro diz: “Eudes fez uma música que eu gostaria de ter feito. Nós vamos cantá-la juntos”. A noite promete, além de tudo, grandes surpresas.

Autor de diversos clássicos da musica maranhense, Cesar Teixeira priorizará seu repertório de sambas e choros – que não é pequeno: Ray-ban, Doidinho, Flanelinha de avião, Das cinzas à paixão e Botequim certamente serão cantadas por ele e pelo público.

Compositor dos mais requisitados, as músicas acima já foram gravadas por nomes como Cabeh, Fátima Passarinho, Lena Machado, Serrinha e Cia. e Chico Saldanha. O projeto não terá recesso pré-carnavalesco e terá sua primeira edição em 2009 acontece dia 3 (sábado).

O Clube do Choro Recebe tem Apoio Cultural de TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem e Rádio Universidade FM e parceria da Solar Consultoria. O couvert artístico individual custa apenas R$ 5,00.

SERVIÇO

O quê: Projeto Clube do Choro Recebe – 63ª. edição.

Quem: o Regional Tira-Teima recebe o compositor Cesar Teixeira.

Quando: dia 27 de dezembro (sábado), às 19h.

Onde: Restaurante Chico Canhoto (Residencial São Domingos, Cohama).

Quanto: R$ 5,00 (couvert artístico individual).

Maiores informações: pelos telefones [98] 3252-1219, 9128-6278 e/ou e-mails ricochoro@hotmail.com e clubedochorodomaranhao@gmail.com

Apoio Cultural: TVN São Luís, Energético Hiro, Clinimagem e Rádio Universidade FM.

Parceria: Solar Consultoria.

Texto de Zema Ribeiro, da Assessoria de Imprensa do Clube do Choro do Maranhão

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Célia Maria, uma diva, "aos vivos", no Chorinhos e Chorões

Neste domingo, dia 14 de dezembro, o programa Chorinhos e Chorões, estende tapete vermelho para uma das maiores cantoras deste país. Célia Maria. Não é exagero meu, eu garanto. Talvez você nem a conheça. Mas acredite, Célia Maria é um monumento vivo, de voz afinada e exuberante. Coisas do Brasil!!!
Célia Maria é maranhense, com diversas passagens pelo Rio de Janeiro e agora está de volta à Ilha. Ela faz show no Teatro Arthur Azevedo no próximo dia 19.
Terei o prazer de recebê-la em nosso programa neste domingo, às 9h da manhã. Como entrevistar uma diva como Célia Maria, além de ser uma grande alegria, é uma tarefa que deve ser encarada com a maior responsabilidade e zelo, convidei o escriba Zema Ribeiro para, juntos, fazermos um bate-papo com a grande cantora.
Zema é figura de grande conhecimento musical, assessor de imprensa do Clube do Choro do Maranhão e um amigo da melhor qualidade. Por certo, será um momento especialíssimo do programa.

João Pernambuco e Antonio Adolfo, é Nó em Pingo D’Água

A expressão popular “nó em pingo d’água” expressa a grande capacidade de alguém para executar uma tarefa difícil, quase impossível.
O Choro ou Chorinho é conhecido como um gênero musical que exige de seus executantes grande habilidade e capacidade de improvisação, tal as nuances, volteios, baixarias e até paradas inesperadas, típicas das autênticas rodas de choro. As vezes a coisa beira o desafio. Eu já pude presenciar alguns momentos assim. Não deixa de ser empolgante e alegre.
Para quem toca e chega assim pela primeira vez é sempre meio casca de banana. Aconselho a chegar de mansinho. Mas aos poucos o músico vai se achando. É verdade que o Choro se tornou pelas suas características sincréticas, que se situa entre o popular e o erudito, uma música complexa, elaborada, de difícil execução. Embora, cada vez mais procurada pelas novas gerações de instrumentistas. Aliás, é cada vez mais comum a migração dos garotos e garotas do Rock para o Choro.
Há mais de 20 anos surgiu no Rio de Janeiro um grupo de choro, de sofisticada abordagem musical, criado por jovens músicos, que se batizou com a expressão “Nó em Pingo D’Água”. Surgia uma das mais interessantes sonoridades do choro carioca.

O “Nó”, como ficou sendo chamado entre os “íntimos”, trazia uma proposta camerística, inspirada na Camerata Carioca, que por sua vez recebeu influências do maestro Radamés Gnattali. Uma espécie de guru musical para os jovens chorões das décadas de 70 e 80, que propunha explorar modernamente o Choro em suas múltiplas possibilidades. Abri-lo ao novo, como gênero e como forma de tocar.

João Pernambuco seguramente tenha sido o mais influente compositor para do violão brasileiro. Talvez porque tenha sido um dos nossos primeiros grandes violonistas e um genial compositor para o instrumento. Há quem diga que Pernambuco seja o grande fundador da escola brasileira do violão. Não é a toa que é considerado um dos compositores brasileiros que mais influenciaram Villa lobos. Depois, o repertório de Choro, especialmente o do Violão, seria bem menor ou muito diferente sem a obra e a influência de João Pernambuco.
Pensar a obra chorística de João Pernambuco interpretada pelo refinado grupo “Nó em Pingo D’Água” já seria o suficiente para nos causar grande expectativa e alegria. Agora, juntar o grande pianista Antonio Adolfo, carioca da gema, ao “Nó” nos faz lembrar – sem comparações valorativas, é claro – o encontro da Camerata Carioca com Radamés. Uma coisa popular e erudita ao mesmo tempo; meio passado, meio presente e metade futuro. Tudo junto, no mesmo tempo, agora. Assim deve ser a nova música, o novo Choro, já prenunciados por Pernambuco, por Villa, por Nazareth, Pixinguinha, por Jacob, Radamés, por Tom Jobim. Os nossos mediadores musicais no tempo e nos espaços.
João Pernambuco interpretado por Antonio Adolfo e Nó em Pingo D’Água, juntos, é uma dosagem tripla ou mais, no mesmo copo, digo, no mesmo CD, das águas caldalosas, dos rios múltiplos que correm pelas veias da nossa louca e plural música brasileira, há muito tempo. Experimente ligar na rádio universidade(106,9), domingo, às nove da manhã. É Chorinhos e Chorões, instrumental do Brasil.