Arquivo do mês: dezembro 2009

PEQUENO ENSAIO SOBRE O FLÂNEUR (DIGA-SE) DE PASSAGENS

Sobre trechos de Passagens – O Flâneur – pude fazer algumas reflexões da natureza e caráter desse personagem poético, “cria” de Charles Baudelaire, tão bem utilizado por Benjamin para traduzir o espírito do homem da metrópole (Paris) na nascente modernidade.

O desenvolvimento do capitalismo e o consequente crescimento das cidades, no caso específico Paris, enseja o aparecimento de uma nova paisagem urbana e, claro, uma nova forma de vivenciá-la, de experimentá-la, de enxergá-la.

Walter Benjamin busca traduzir essas mudanças através da percepção de como a literatura de então captava tal processo de transformações.

Baudelaire, poeta parisiense, ganha importância extraordinária no trabalho de Benjamin. Os escritos de Baudelaire, segundo Benjamin, traduzem de forma mais próxima e profunda a vida social daquela cidade. Para Ele, revelava com sutileza a relação do homem com a cidade moderna.

Fragmentos, recortes, impressões a partir do que se escrevia sobre a cidade; uma profusão de informações colhidas em jornais, revistas e outros escritos davam de certo modo um tom de flanar pela metrópole registrando olhares sobre a paisagem, opiniões.

Assim a cidade seduzia, convidava a penetrar por suas avenidas, becos e labirintos errantes. Baudelaire afirma que o flâneur se achava envolto, embriagado pelo prazer de se achar em uma multidão. Ao mesmo tempo a cidade representava o espaço sagrado das andanças erráticas, o espaço de expressar suas contradições, de viver suas tensões, alegrias, prazeres e medos.

Na verdade, nesse perambular por galerias, bulevares e mercados o flâneur acaba por não ter a intenção deliberada de explicar a cidade, mas de mostrá-la. Nesse percurso de paixão pela exterioridade da metrópole moderna, pelo efemeridade da cidade, o flâneur se depara com a condição do homem moderno diante da mercadoria, de algum modo uma vítima dessa exposição agressiva e sedutora, tornando-se um embriagado em abandono, anulado pela multidão.

O Flâneur não é um cientista. Ele busca é a experiência, ainda que ingênua, pura; o gosto pelo estético, identificar novos personagens da vida moderna.

Porém, seu olhar sobre a vida da cidade não é um olhar de distanciamento, de contemplação, mas de meter-se nela, misturar-se. Esse exercício oferece a cidade como um espaço a ser lido, um livro por exemplo, um texto. Por que o flâneur também é um leitor da cidade. Embora suas impressões sejam fragmentárias, pouco parciais e distraídas, diga-se de “passagens”.

Nesse ler/escrever ele também se apropria das notícias orais e escritas, como algo já vivido, experimentado, o “simples saber” em transmissão.

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Deu no blog do Marcos Nogueira: estudantes maranhenses vencem Olimpíada Nacional de História

Depois que ingressei no Mestrado Interdisciplinar de Cultura e Sociedade da Universidade Federal do Maranhão, fiquei praticamente sem tempo para atualizar este blog. Daí ele parecer assim meio abandonado.

Mas uma boa notícia, que mexeu com minha alegria hoje de ser pai, me fez sair um pouquinho das leituras do dito mestrado e da correria de ser pai também de dois bebês praticamente da mesma idade, para encontrar um tempinho e postar hoje por aqui.

Recebí um telefonema do amigo e compadre, o violonista João Pedro Borges, me dando conta de que havia lido no Blog do Marcos Nogueira que Lucas Moraes Santos, meu filho mais velho (17) mais Camila Carvalho e João Victor Freitas, ambos alunos do Colégio Santa Teresa, ambos remanescente do Colméia, haviam vencido a Olimpíada Nacional de História da UNICAMP.

De fato foi um feito grandioso e que nos deixou muito felizes, eu, a mãe, Cristianes Moraes, irmãos, os avós, tios e tias, amigos, enfim. Afinal a olimpíada envolveu mais de 4 mil grupos de estudantes de todo o país. E esse trio iluminado saiu vencedor.

Como ainda não sei direito os detalhes de tudo, visto que não consegui ainda falar com o Lucas, já que estava em meio a uma prova (processo seletivo-última etapa) da UNB, passo, feliz e agradecido a Deus, a postar o texto do Marcos Nogueira.

Estudantes maranhenses vencem Olimpíada Nacional de História organizada pela Unicamp/SP

Os estudantes do 3.° ano do Ensino Médio do Colégio Santa Tereza, Camila Carvalho Matos, Lucas Moraes Santos e João Vitor Freitas Ferreira foram os grandes vencedores da Olimpíada Nacional de História, promovida pela Universidade Estadual de Campinas, UNICAMP, de São Paulo.

Cerca de quatro mil grupos de estudantes de todos os Estados do Brasil se inscreveram na Olimpíada da Unicamp, que financiou as passagens aéreas e a hospedagem dos dez grupos com melhor desempenho nas etapas classificatórias do certame cultural.Camila, Lucas e João Vitor cursaram o ensino fundamental, o antigo primário e ginásio, no colégio Colméia de São Luís e se transferiram para o Colégio Santa Tereza há três anos para cursarem o Ensino Médio.

Camila é filha dos jornalistas Nilson Amorim Matos e Aracéa Carvalho; Lucas é filho do dirigente da Cáritas, Ricarte Almeida Santos e da jornalista Cristiane Morais; e João é filho de Ana Cristina Freitas Ferreira.Os três foram à Campinas acompanhados do professor Gereba, que ministra aulas de História no Colégio Santa Tereza.

Eles não puderam esperar o resultado oficial da Olimpíada de História da Unicamp, que só foi divulgado hoje, domingo, pois viajaram ontem para Brasília, onde fazem hoje a prova do vestibular da UNB.Camila, Lucas e João Vitor estão de parabéns por terem honrado e dignificado o Maranhão num concurso tão concorrido como este da Unicamp.

Os pais orgulhosos, parentes, amigos e colegas da Colméia e do Santa Tereza já estão preparando uma recepção festiva e alegre no Aeroporto Marechal Cunha Machado de São Luís para quando esses ilustres jovens maranhenses retornaram a nossa terra.O blog parabeniza os três estudantes que representaram muito bem a Atenas brasileira.