PARA FALAR DO DIA NACIONAL DO CHORO E DO “CHOROGRAFIA DO MARANHÃO”

por Ricarte Almeida Santos[1]

Em todo o país, hoje dia 23 de abril, se comemora o Dia Nacional do Choro. É lei.

São Luís também terá sua deferência especial ao dia de nascimento de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. A festa será na AABB, a partir das 19 horas, com um desfile das nossas maiores feras do choro.

Aliás, é oportuno dizer, que já faz alguns anos que a Escola de Música do Maranhão não tem deixado a data passar “impunemente”, algo merecedor de reconhecimento e aplauso.

Antes das iniciativas da EMEM, a jornalista Vanessa Serra foi outra que também empreendeu esforços comemorativos ao Dia Nacional do Choro. Lembro-me de uma vez em que ela nos brindou com a presença do extraordinário clarinetista Paulo Sérgio Santos, figura de proa do cenário “chorístico-instrumental” brasileiro, com quem tive a honra de dividir na UFMA uma mesa de debate sobre o gênero.

Além do Paulo Sérgio, outra presença ilustre na ocasião foi a do seu filho Caio Marcio, extraordinário violonista, hoje integrante do contemporaníssimo grupo Tira Poeira. Os dois, junto com os chorões da Ilha, transformaram o Bar do Léo numa grande e qualificada roda de Choro, para o deleite dos presentes. Bons tempos aqueles de música ao(s) vivo(s) na Cobal do Vinhais!

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Tudo isso, junto com outros acontecimentos chorísticos, como projetos, shows, festivais e rodas de choro, ajudam a contar a história do gênero em terras maranhenses. Mas há muito que essa música se faz presente na terra de Gonçalves Dias.

João Mohana pescou peças de Choro por aqui que datam do século XIX. Imagine o que se fez em termos de produção chorística de lá até aqui. Velhos mestres aí pelas cidades históricas da baixada, do Mearim, do Itapecuru, do Grajaú, no interior da Ilha em mais de 150 anos de história musical. Peças e peças que ficaram no fundo dos baús sem serem reveladas ao público. O próprio Mohana registra os prejuízos de centenas e centenas de partituras perdidas pela ação tempo, pelo ataque dos cupins e pelo desleixo de familiares que ignoravam o valor do que guardavam. Muita coisa ficou irrecuperável mesmo, outras viraram embalagem de sabão.

Atualmente, recebo muitas reclamações de saudosistas do projeto “Clube do Choro Recebe”, reivindicando a volta da iniciativa, que idealizei e desenvolvi em parceria, por quase três anos, no lendário restaurante do Chico Canhoto. A ideia era simples: provocar o encontro do Choro, linguagem instrumental brasileira, com a diversidade da cultura musical do Maranhão. A coisa fertilizou, não só pelo grande público que por lá aparecia lotando as dependências do já pequeno espaço do Canhoto, mas sobretudo pela mexida na cabeça de muitos e dos resultados estéticos que passou a suscitar nas produções musicais posteriores e no próprio mercado da música, que passou, com maior destaque, a abrir espaço para o Choro e para a música instrumental.

Penso que as reivindicações saudosistas têm toda a razão de ser, afinal aqueles saraus eram momentos de prática e vivência artístico-musical de grande deleite. Quando se terminava, às 11 e meia da noite, sempre ficava aquele gostinho de quero mais.

Hoje, felizmente, se têm rodas de choro em vários cantos da Ilha e, embora o “Clube do Choro Recebe” tenha deixado saudades, imagino que precisamos ir adiante. É necessário avançarmos no processo de formação de novas gerações de chorões  e  do registro da memória do Choro no Maranhão.

Nessa perspectiva, idealizei e formulei o projeto “Autobiografia dos Chorões Maranhenses” – que, por sugestão do competente jornalista Zema Ribeiro, convidado por mim para participar do projeto, passou a se chamar “Chorografia do Maranhão” – foi no sentido de um passo adiante, de registrar as histórias dos chorões maranhenses contadas por eles mesmos, através de entrevistas; nesse mesmo sentido, formulei convite ao fotógrafo Rivânio Almeida Santos para o registro fotográfico dos entrevistados, visando, também, constituir um acervo de imagens dos nossos chorões.

Executar um projeto dessa importância requer profissionais de sensibilidade e competência, daí o convite aos dois – ao Zema e ao Rivânio – com quem tenho tido a felicidade de trabalhar.

Coordenar esse projeto para mim e desenvolvê-lo contando com as competências desses dois finos profissionais, é sinal de compromisso com a ética e com um resultado de qualidade e respeito ao Choro e aos chorões do Maranhão.

Todo esse material, depois de entrevistados cerca de 40 chorões maranhenses, comporá um livro com o conjunto  das entrevistas e das imagens captadas, publicação que terá lançamento em São Luís, Brasília e Rio de Janeiro.

O objetivo, além do registro da memória dos nossos chorões,  é subsidiar futuras pesquisas sobre a nossa música instrumental, especialmente sobre o Choro no estado.

Para quem ainda não sabe, as entrevistas do “Chorografia do Maranhão” estão sendo publicadas quinzenalmente, aos domingos,  no Jornal “O Imparcial”, sempre com um tratamento apurado e profundamente respeitoso por parte daquele matutino.

E assim segue o Choro no Maranhão.

 


[1] Ricarte Almeida Santos é sociólogo e radialista, especialista em Gestão Cultural e Mestre em Cultura e Sociedade; é produtor e apresentador, há 22 anos,  do programa Chorinhos e Chorões da Rádio Universidade FM

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