Jiran e Pial no Chorinhos

Pial em percussão total

Um de cada vez. Primeiro Pial, depois Jiran. Mas poderia ser o inverso.  Não mudaria em nada o resultado, em termos de qualidade. Essa ordem que escolhi é só uma questão de arrumação do programa.

Vou começar com Carlos Pial, percussionista maranhense, atualmente radicado em Basília. Pial tá de disco novo, Etnia, o terceiro da carreira. Este, feito entre São Luís e a capital federal, em 2010 e 2011, é mais uma mostra exuberante do gigantesco talento desse mago da percussão.

encarte Etnia

Como se fosse pouco, todas as batidas, timbres, levadas, chocalhos, apitos, caixas, zabumbas, pandeiros, pandeirões, triângulos e outros apetrechos percussivos, dos quais Carlos Pial extrai sua belíssima música, neste Etnia, ele ainda se faz acompanhar por alguns outros asseclas de semelhantes talentos. Figuras como o saxofonista Sávio Araújo, o acordeonista Rui Mário, o baixista João Paulo, o gaitista Júnior Gaiato, dentre outros, tomam parte, enriquecendo ainda mais essa linda bolachinha tribalmente contemporânea ou contemporaneamente tribal, como você preferir.

Pial é nome de peixe da água doce. Mas é também pescador de tradições, é tocador de raízes, profundas. Carlos Pial é homem da mata, é cidadão do mundo, linkado com o novo, é som das etnias, é aldeia plural. Pial é música, essencial.

Depois do peixe da baixada maranhense, o  mineiro Marcelo Jiran. Garoto multi talentoso, a dificuldade é dizer qual instrumento o cara toca, são tantos. Violão, violão 7 cordas, cavaquinho, piano, bandolim, flauta, gaita, pandeiro, tamborim, acordeon, enfim.

Marcelo Jiran, toca tudo

A primeira aparição de Jiran em São Luís foi há quatro anos, acompanhando Paulinho Pedra Azul, em show no Athur Azevedo. Depois, tanto Paulinho quanto Jiran, deram canjas no restaurante Chico Canhoto, ao lado dos chorões e instrumentistas maranhenses,  em noite memorável, inspiradora do projeto Clube do Choro Recebe.

Jiran ao lado de Luiz Júnior, no Chico Canhoto

O multi-instrumentista Marcelo Jiran, gravou ano passado seu primeiro disco, Porta-Retratos. São várias faces instrumentais, diria, de um mesmo artista, polivalente. Claro, graças à tecnologia de gravação, como Jiran toca todos os instrumentos de que precisava, acabou gravando o disco sozinho. Além de tudo, o jovem músico é ótimo compositor. Em Porta-Retratos, Jiran mescla composições suas com uma criação de Noel Rosa (Com que roupa?) e duas  de Ernesto Nazareth. Quanto aos arranjos, o garoto também é pura competência.

O grande “problema” de Marcelo Jiran é que, tocando tudo, compondo e arranjando tão bem assim,  desconfio que não vamos melhorar  as nossas taxas de emprego no meio musical nos próximos anos.

Pial  e Jiran, cada um na sua, é o menu do Chorinhos e Chorões deste domingo, 5 de fevereiro, às 9H da manhã, na Universidade fm. Aprecie sem moderação!

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