O "deserto verde" se alastra pelo Maranhão

Também denominadas por estudiosos e pesquisadores como “deserto verde”, as plantações de eucalípto ganham proporções assustadoras em terras maranhenses.
Com um governo estadual absolutamente subserviente a esse tipo de negócio, a pretexto de atrair o “desenvolvimento”, os órgãos estaduais – e federais -, supostamente de controle ambiental, fecham os olhos para o estrago que está sendo feito. A coisa ultrapassa a irresponsabilidade, tal a facilidade com que esse tipo de praga, com discurso de investimento sustentável, se implanta por aqui. 
As consequências já são e serão de toda ordem aprofundadas, ano após ano. Dos impactos ambientais aos conflitos fundiários em larga escala. Não é sem motivos a crescente onda de assassinatos de trabalhadores rurais, indígenas, quilombolas e lideranças populares no meio rural que temos assistido.
As áreas já reservadas e adquiridas para o plantio do eucalípto no Maranhão estão em processo acelerado de expansão. Com o elevado preço das terras no Sudeste, os estados do Centro Oeste, Norte e o estado do Maranhão viraram alvo estratégico da indústria da celulose.
Os investimentos do setor destinados à aquisição de novas áreas para incremento do negócio são preocupantes e exigirão rigoroso controle dos órgãos públicos, especialmente dos Ministérios Públicos, frente às graves consequências que isso significa para as populações locais, especialmente aos pequenos agricultores e agricultoras.
O grupo Suzano Papel e Celulose, “vai investir R$ 1 bilhão na formação de florestas e numa indústria de “pellets” de madeira (pedaços processados de madeira para incineração e geração de energia)” no estado. Em outras palavras, se a situação já era grave para as populações afetadas, tende agora a se estrangular de vez. Vêm aí mais despejos de famílias e comunidades, mais liminares de reintegração de posse (na maioria das vezes baseadas em fraudes cartoriais), mais conflitos, mais ameaças, mais… enfim.
Leia abaixo matéria da Folha de S. Paulo, dando conta da expansão do negócio:
São Paulo – A valorização da terra em mercados consolidados como São Paulo, Minas Gerais e Paraná transformou os Estados de Mato Grosso do Sul, do Maranhão, do Tocantins e do Pará nas novas fronteiras florestais para o cultivo do eucalipto voltado à indústria.
Dos R$ 5,7 bilhões que as empresas planejam investir até 2015, 90% devem ir para os Estados das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, segundo a Abraf (Associação Brasileira de Produtores de Florestas Plantadas).
Numa comparação entre Estados, a diferença no preço da terra pode encarecer em até R$ 700 milhões o projeto de implantação de um fábrica de celulose – matéria-prima (eucalipto), equipamentos e transportes -, segundo estimativas das empresas.
Enquanto em Mato Grosso do Sul uma unidade com capacidade para 1,5 milhão de toneladas de celulose por ano custaria R$ 1,8 bilhão, em São Paulo sairia por R$ 2,5 bilhões, afirma Aires Galhardo, diretor florestal da Fibria, uma das maiores do país.
“A formação dessas novas fronteiras florestais foi motivada pelos preços das terras nos outros Estados e por serem regiões ainda não exploradas, onde podemos encontrar preços mais favoráveis”, disse Galhardo.
Em Mato Grosso do Sul, a Fibria é proprietária de uma das maiores florestas e vai adquirir mais áreas para ampliação da unidade de celulose em Três Lagoas. Os investimentos industriais devem somar R$ 4 bilhões.
Maranhão – No Maranhão, a Suzano Energia Renovável, do grupo Suzano Papel e Celulose, vai investir R$ 1 bilhão na formação de florestas e numa indústria de “pellets” de madeira (pedaços processados de madeira para incineração e geração de energia)
A estimativa da empresa é iniciar a produção em 2014 e gerar 2.700 empregos diretos no Estado. Até lá, a meta da unidade será alcançar 3 milhões de toneladas de “pellets”. Atualmente, a Suzano tem 341 mil hectares plantados com eucalipto no país. Para o diretor-executivo da Abraf, César Augusto dos Reis, o baixo preço da terra nos Estados também é favorecido pelo fim da pecuária extensiva. “Os pastos ficaram ociosos e agora estão dando espaço a grandes plantações de eucalipto.”
Análise: Cultivo do eucalipto no Brasil cresce na medida do conflito com o alimento
A unidade da Eldorado Brasil que está sendo construída em Três Lagoas terá 210 mil hectares de eucalipto. Atualmente, a empresa só garantiu 70 mil hectares. Os investimentos totais (florestal e industrial) previstos são de R$ 4,8 bilhões.
No Tocantins, a expectativa da Aretins (Associação de Reflorestamento do Tocantins) é atingir 600 mil hectares de eucalipto plantados até 2016. A Jamp, de Dueré (TO), deve quadruplicar a área plantada de eucalipto, hoje em 3.000 mil hectares.
Segundo a Abraf, a silvicultura no Brasil obteve valor bruto de produção de R$ 51,8 bilhões em 2010 -recorde histórico. De acordo com a associação, o setor gera 4,5 milhões de empregos diretos e indiretos no país.
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2 Respostas para “O "deserto verde" se alastra pelo Maranhão

  1. ricarte, gostei da nova cara do blogue. tá mais bonito que o meu, ahah. abraço forte!

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