STF e os fichas sujas: Carta ao MCCE

Companheir@s,

Confesso que achei a Nota Pública do MCCE, em relação ao resultado no STF, muito ruim e pouco pedagógica para sociedade de modo geral.

Penso que a postura dos Movimentos Sociais deve ser de altivez e independência, de criticidade, propositiva. Não de contentamento, de obediência.

A postura do STF neste caso não condiz com a necessidade de clareza e objetividade do momento político que se vive.

Essa corte não cumpriu com seu dever de esclarecer as regras, à luz da Constituição, para que o eleitor possa ir às urnas ciente das regras do jogo.

A quem interessa essa núvem que embaça o processo nestas eleições?

Portanto, se até agora o STF não foi capaz de definir com transparência o estatuto desse pleito eleitoral, quem nos garante que ainda o fará antes de 3 de outubro? Sobretudo porque em vários estados ocorrem situações de insegurança sobre candidaturas a cargos importantes.

É ignorância histórica, política e sociológica com a cidadania dizer agora que cabe ao eleitor fazer o crivo dos fichas-sujas.

Todos sabem as condições em que vive o nosso povo, principalmente nas periferias de nossas cidades e nos mais longínquos rincões do país. Coronelismo, miséria, dependência, patrimonialismo, corrupção eleitoral, enfim.

Ora, de que valeram as 1 milhão e 500 mil assinaturas? A Constituição é clara: TODO PODER EMANA DO POVO. Veja bem, TODO PODER.

Portanto, não há nada mais CONSTITUCIONAL do que uma proposta legítima do POVO BRASILEIRO. Ocorre que nesse país as nossas elites, sobretudo o Judiciário, têm medo dos institutos de democracia direta, do poder popular.

De outro modo, só se pode crer que se trata de manter uma situação de insustentabilidade, insegurança jurídica do processo por pura conveniência.

Caberia do MCCE uma postura diferente. De questionamento, de responsabilização do Supremo, ante a insegurança jurídica que corremos o risco de entrar nessas eleições.

Movimento social não pede favor ao Estado. Exige que ele cumpra sua função, para a qual existe.

E nesse caso “o intérprete mais elevado da Constituição” pisou na bola e pode oferecer ao eleitor uma casca de banana no escuro.

A nota pública do MCCE, além de pouco compreensível aos cidadãos e cidadãs, carregada no “juridiquês”, se mostra obediente e satisfeita com o pouco que a coordenação do movimento julga ter recebido.

É uma pena, diante de tudo que já se consquistou nesses 11 anos de Luta do MCCE, se contentar com tão pouco ou quase nada.

Saudações fraternas,

Ricarte Almeida Santos
Cáritas Brasileira Regional Maranhão

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s