Ligiana, Clã Brasil e Ramiro Musotto no Chorinhos e Chorões

O Chorinhos e Chorões, que vai ao ar neste domingo, 13 de junho, às 9 horas da manhã, na Rádio Universidade FM, traz assim um diversidade fabulosa, que além de mostrar que o programa está aberto ao novo, ao diferente, revela também a riqueza e a pluralidade de possibilidades da nossa música.
Vou mostrar parte significativa do cd “De amor e Mar”, da belíssima cantora brasiliense Ligiana.
Ligiana depois de uma temporada relativamente longa na Europa, onde estudou música barroca e concluiu seu doutorado em musicologia, retorna ao Brasil para nos brindar com a gravação desse belíssimo “De Amor e Mar”.
Um encanto de disco, ratificando a fertilidade brasileira para grandes cantoras. Enveredando por belos sambas, choro, e até promovendo o encontro do choro com o tango, Ligiana além de revelar seu belo cantar, nos mostra também sua verve de consistente compositora.
Seu repertório inclui, além das suas, belas crias de Cartola e Heitor dos Prazeres, Paulo Cesar Pinheiro e Batatinha, Tom Zé, Ségio Sampaio e, até, uma versão cantada de Chorando Baixinho, clássico do Choro, do saudoso Abel Ferreira.
Outro belo detalhe – se é que posso chamar assim – do cd, são as participações, prá lá de especiais, de Tom Zé, Hamilton de Holanda, Philippe Baden Powell e Marcelo Pretto. O disco tá um pintura.
Depois, outra boa pedida desse domingo no Ch & Ch, será uma leve pitada do cd das meninas do Clã Brasil. São quatro jovens irmãs lá da Paraíba, que de acordeon, bandolim, violão, flauta, zabumba e outras instrumentalidades à mão, não deixam ninguém ficar parado, de tando baião, xaxado, xote e xoro, digo, choro.
Além de lindas, são talentasíssimas. Recentemente gravaram cd e dvd em homenagem ao mestre Dominguinhos. Já que temporada é de nordestinidades, partilharemos alguma coisa.
Para fechar o programa, um levada apimentada de Ramiro Musotto. O percussionista argentino que se radicou na Bahia e que morreu ano passado. Ele nos deixou, além de grandes contribuições nos trabalhos de nomes consagrados da MPB, como Caetano Veloso, Giberto Gil, Zeca Baleiro, Chico Cesar e tantos outros, um extraordinário disco, o Civilizacao & Barbarye – escrito assim mesmo.
Nesse cd Musotto bebe em todas as fontes percussivas e rítmicas do planeta, dos cantos do mundo por onde andou e tocou, das tradições dos couros, das tecnologias que experimentou. Ele nos mostra todas as compatibilidades possíveis do que pode parecer antagônico.
Exemplo disso é que ele fez com Assanhado do genial Jacob do Bandolim. Lhe empresta uma leitura de forte carga rítmica e eletrônica. Nunca ouví nada igual das outras experiências de meter os bits, os bate estacas no choro. Sua proposta é acachapante, detonadora de todos os preconceitos. Foi incapaz de desconsiderar a obra magnífica do mestre Jacob. Ao contrário, mostrou deferência e zelo, tal a qualidade e beleza do resultado. Plena compatibilidade.
Só vou tocar essa por que ele provocou. Foi mexer com o choro, aí já viu. Ficou muito massa. Uma pancada, no melhor sentido do termo.
Domingo, às 9 horas, na Universidade FM.
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