Buriticupu de fogo (e bala): militantes sociais ameaçados de morte

Ameaça de morte a militantes sociais, destruição da floresta, trabalho infantil, violência nas ruas, assaltos rotineiros a banco, envolvimento de políticos e autoridades com a criminalidade, dentre outros desmandos, é o clima que marca o município de Buriticupu, na pré amazônia maranhense.
Buriticupu, é um “belo” exemplo do quadro trágico de violação generalizada dos Direitos Humanos, que o atual modelo de “desenvolvimento” suscita. Só mesmo vendo. Uma simples filmagem na cidade já é motivo de perseguição e ameaça de morte. Há alguns meses, dois jovens documentaristas que faziam umas imagens naquela cidade foram perseguidos em alta velocidade por jagunços e madeireiros armados até os dentes, pelas ruas e pela perigosa estrada da região. Escaparam por pouco, graças a habilidade ao volante de um dos jovens cinegrafistas. Mas ainda assim, na delegacia de Buriticupu, acabaram quase criminalizados pelos policiais de plantão, escandolasamente cúmplices dos perseguidores.
Já não se tem mais a quem recorrer em Buriticupu. Os militantes da Cáritas, da Rede de Educação Cidadã e do Fórum de Políticas Públicas, depois de participarem do processo de mobilização e denúncia, que resultou na Operação Arco de Fogo, agora correm risco de morte. Estão sendo ameaçados por madeireiros e/ou políticos da cidade. Gente da cadeia produtiva da morte e da destruição.
A Cáritas Brasileira Regional Maranhão se pronunciou em nota, cobrando das autoridades proteção aos ameaçados:
NOTA

AGENTES CÁRITAS AMEAÇADOS DE MORTE

Cáritas Brasileira aponta “quadro trágico, vergonhoso e insustentável, fruto de um conjunto de fatores, entre os quais a ausência do poder público e de políticas públicas” em Buriticupu.

Sob o comando do Ministério do Meio Ambiente, a Operação Arco de Fogo, deflagrada para coibir desmatamentos e a extração ilegal de madeira, entre outros crimes ambientais, representantes de diversos ministérios, do IBAMA e da Polícia Federal, estiveram em agosto no município de Buriticupu/MA. Na ocasião, o Fórum de Políticas Públicas daquele município denunciou as ações criminosas de madeireiros, incluindo os senhores Antônio Marcos de Oliveira, vulgo Primo, prefeito municipal, e seu sócio José Mansueto de Oliveira, presidente da Câmara Municipal de vereadores.

Com a retirada da operação e de todo o seu aparato de segurança, funcionários do IBAMA evadiram-se da cidade, permitindo assim a retirada do lacre das madeireiras e seu retorno ao funcionamento normal, continuando o trágico quadro de crimes contra o meio ambiente, seja pela extração ilegal de madeira, poluição, geração de resíduos e proliferação de doenças, entre outros.

O envolvimento de autoridades com criminosos, ou o cometimento de delitos pelas próprias, contribui para um quadro de descrédito nas instituições, por parte da população, que busca fazer justiça com as próprias mãos, aumentando os alarmantes índices de violência – só após a passagem da operação Arco de Fogo, quatro jovens foram assassinados em Buriticupu.

Lideranças do Fórum de Políticas Públicas de Buriticupu/MA, integrado por representantes da Cáritas Diocesana de Viana e Rede de Educação Cidadã, entre outras, têm sofrido ameaças de morte. Naíza Gomes de Sousa Abreu, agente da Cáritas Diocesana de Viana e membro do Fórum de Políticas Públicas, após receber diversos recados, resolveu, forçada, deixar família, trabalho, seu cotidiano, saindo da cidade.

Diante do quadro trágico, vergonhoso e insustentável, fruto de um conjunto de fatores, entre os quais a ausência do poder público e de políticas públicas, a Cáritas Brasileira Regional Maranhão vem a público denunciar estes mais recentes acontecimentos e cobrar providências por parte das autoridades competentes – poderes executivo, legislativo e judiciário –, nas esferas federal e estadual. A garantia de vida destes cidadãos e cidadãs por parte das autoridades é mais que urgente.

Faz-se necessária uma intervenção em Buriticupu – para além de uma bissexta operação. Diante do imperativo ético revelado pela Igreja Católica ao afirmar que “a paz é fruto da justiça” – tema de sua Campanha da Fraternidade em 2009 –, a Cáritas Brasileira Regional Maranhão denuncia a ausência do Estado brasileiro assegurador da ordem pública e garantidor do direito fundamental à vida no município de Buriticupu/MA e exige apuração e punição imediata para os agentes públicos que encobrem, incentivam e/ou praticam crimes contra o meio ambiente e a vida de quem lá reside.

Coordenação Colegiada
Cáritas Brasileira Regional Maranhão

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Uma resposta para “Buriticupu de fogo (e bala): militantes sociais ameaçados de morte

  1. Olá, é lamentável, termos que conviver com essas quadrilhas organizadas que além de destruir o meio ambiente que é nossa vida, ainda temos que conviver com ameaças de morte, no caso da amiga Naiza.

    Infelismente o poder judiciário é conivente com estas quadrilhas enquanto o povo através de seus poucos porta-voz, que são os militantes sociais, religiosos entre outros vive num clima de terror!

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