Chorinhos e Chorões – domingo, 6 de julho – Os cara do Rio e as mina de Sampa


É isso mesmo. Neste domingo o programa Chorinhos e Chorões, que vai ao ar sempre às 9 horas da manhã pela Rádio Universidade FM, traz duas novidades preciosas do universo instrumental-chorístico brasileiro. O segundo disco – Feijoada Completa – da trupe carioca do Tira Poeira e o primeiro do trio de irmãs paulistanas Choro das 3.

O primeiro disco do Tira Poeira que saiu em 2003 já foi assim retumbante. Mexeu com as estruturas conservadoras, com um choro alegre, ao mesmo tempo elaborado, sofisticado e aberto. Indo dos clássicos do choro à pérolas do samba, inclusive com participações de cantores da cena boêmia carioca. O nome do grupo – Tira Poeira – já prenunciava a proposta dos caras. Espanar as prateleiras empoeiradas do choro. Andaram até flertando com a consagrada Maria Bethânia no cd Brasileirinho, cuja participação foi saudada com festa pela crítica e pelo público.

Depois de rumores da dissolução do grupo, O Tira Poeira reaparece todo fagueiro e cheio de garbo com um novo álbum da mais refinada abordagem instrumental brasileira.
Um repertório de música brasileira no sentido mais amplo. De Chico Buarque à Villa Lobos, incluindo Guinga, Vinícius de Moraes, Dominguinhos, Edu Lobo, sem trazer nenhum clássico do choro, ao contrário do primeiro disco.

E nesse, Bethânia devolve a participação d’Eles no seu disco e canta em grande estilo Gente Humilde, de Chico, Garoto e Vinícius.

A outra pedida de domingo no Chorinhos e Chorões é o grupo paulistano Choro das 3, formado pelas irmãs Elisa Meyer Ferreira no bandolim, banjo e Clarinete; Corina Meyer Ferreira na Flauta e Lia Meyer Ferreira no violão de 7 cordas. Claro, acrescido do cuidadoso pai, Eduardo Ferreira no pandeiro, surdo e tamborim.

O repertório da moçada traz assumidamente o Choro, em clássicos dos mais executados em toda roda de choro que se preze. Brejeiro, de Nazareth, Flor de Abacate, de Álvaro Sandim, Carinhoso de Pixinguinha e João de Barro, dentre outros, integram o cd.

A diferença das mina é a vivência delas nos mais tradicionais saraus chorísticos de Sampa. Estudam e praticam choro desde a infância, convivendo com figuras como Zé Barbeiro, João Macacão, Stanley, Luizinho 7 cordas, Arnaldinho e tantos outros mestres do choro paulista, o que lhes garante os caminhos e senhas para desvendar os meandros dessa música tão complexa que é o choro.

Meu Brasil Brasileiro é o título do disco das três, ou melhor, do Choro das 3. Uma alegria contagiante, redundantemente cheia de graça. A graça das mina de Sampa, ó meu.

E no bloco das coisas de nossa terrinha timbira, a participação de dois grandes instrumentistas maranhenses no show de Zé da Velha e Silvério Pontes que eu produzi no Circo da Cidade, em 2006. Agora, recentemente recuperamos o áudio (com o auxílio luxuoso de Ivar Silva). E, olha, a participação de Luís Júnior e Serrinha de Almeida naquele show nos enche de orgulho, tal a qualidade de suas execuções, em diálogo aberto e franco com dois dos maiores instrumentistas brasileiros, em uma noite inesquecível.

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3 Respostas para “Chorinhos e Chorões – domingo, 6 de julho – Os cara do Rio e as mina de Sampa

  1. Valeu pelo Blog Ricarte. Fiquei sabendo hoje. Vou adicionar a meus favoritos. Febre na Selva é realmente um belo filme de Spike Lee. Boa Sorte, Eden Jr.

  2. ricartão: o ótimo primeiro disco do tira-poeira é de 2003. jô soares furou tua pauta, risos: as “mina” de sampa ‘tavam no programa do gordo, mas eu tava numa lanchonete, vendo a tv de longe, não saquei nada…no mais, texto cheio de ginga, coisa de refinado músico em inspirada roda de choro, você agora toca: teclado. de computador.abraço, rapá!(p.s.: enquanto te escrevo este comentário, ‘tou baixando um déo rian interpretando ernesto nazareth…)

  3. Falou Eden,obrigado pelo incentivo cara. cê sempre muito generoso. figuras como vc são raras hoje. boa gente, gosto musical apurado e solídário. espero contribuir aqui com um pouquinho de reflexão sobre nossa produção musical. estamos abertos ao debate.grande abraço,ricarte.zema rapá,já corrigi o ano. você é um dos responsáveis pela decisão de fundar esse espaço. tomara que eu faça juz ao incentivo. quanto ao jô, ele é um gordo chato mesmo. mas tenho que admitir, o gordo tem muito bom gosto, embora seja inoportuno algumas vezes. sua visão política é que é um tanto ranheta. mas fazer o quê, né? brincadeira. abaixo o patrulhamento.agora essa de tocar teclado(embora de computador), é demais.pra tocar até nisso sou um fiasco.falou,ricarte.

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