O Choro no Maranhão: em alto e bom som


foto: Pedro Araújo

A presença do Choro é influência marcante na música feita no Maranhão. Basta ouvir os grandes compositores maranhenses, como Ubiratan Souza, César Teixeira, Joãozinho Ribeiro, Chico Maranhão, Bibi Silva, Cristóvão Alô Brasil, Josias Sobrinho, Seu Antonio Vieira, Chico Saldanha, além de outros tantos que têm suas obras musicais impregnadas de influências chorísticas.

Depois, o Maranhão sempre foi um centro produtor musical de grande quantidade e qualidade, embora sendo um estado periférico, sem grande importância no cenário político e econômico até aqui.

No famoso acervo do Pe. Mohana é possível garimpar em suas peças, dentre valsas, polcas, e outros gêneros, também belíssimos choros.

Na nossa literatura encontram-se também registros dos famosos grupos regionais presentes animando as festas e casas de diversões em um passado não muito distante.

Podemos ainda lembrar grandes mestres maranhenses do Choro do passado e do presente, como Zé Hemetério, mestre Nuna Gomes, Custodinho, Six, Cleômenes, Raimundo Amaral, João Pedro Borges, Serrinha de Almeida, Paulo Trabulsi, Ubiratan Sousa, Raimundo Luís, Domingos Santos, Leo Capiba, Zé Carlos, Aluisio Canhoto, Agnaldo Sete Cordas, Joaquim Santos, Fátima Passarinho, Juca do Cavaco, Francisco Solano, Roquinho, Gordo Elinaldo, Zezé Alves, os jovens Robertinho Chinês, Ricardo Focca, João Neto, Luís Júnior, Thiago Sousa, João Eudes, Wendell, e tantos outros que estão surgindo aí na cena Choro da Ilha.

Recentemente, com a criação do Clube do Choro do Maranhão, por ocasião do Festival Internacional de Música de São Luís, houve uma retomada do movimento de maneira mais intensa e articulada, dando maior visibilidade ao gênero, com inúmeros encontros, rodas de choro e intercâmbios com chorões de outras praças. O desenvolvimento de projetos de difusão do choro em diversos locais como bares, praças, teatros e outras casas de espetáculos, além de escolas para a formação de novos instrumentistas, é o caminho que se deve buscar.

Um pequeno exemplo é o projeto Clube do Choro Recebe, que caminha para um ano de encontros semanais, movimentando instrumentistas, músicos, cantores, cantoras, compositores, sonoplastas, cinegrafistas, fotógrafos, jornalistas, garçons, produtores e apreciadores do choro de modo geral, com repercussões já em todo Brasil. Nomes como Lena Machado, Chico Maranhão, Cesar Teixeira, Josias Sobrinho, Chico Nô, Bruno Batista, Chico Saldanha, Flávia Bitencourt, S. Antônio Vieira já deram o ar da graça cantando por lá.

Além de um programa de rádio especializado em choro, o Chorinhos e Chorões, da Rádio Universidade FM, que está no ar há 19 anos, contribuindo para a difusão e fortalecimento do gênero no Maranhão.

A gravação do primeiro disco de choro do Maranhão, com um repertório todo de compositores da terra, pelo Instrumental Pixinguinha, é de fato um acontecimento histórico e animador para os outros grupos e a confirmação da força do choro em nosso estado.

Nessa direção, os grupos Regional Tira Teima, Chorando Calado, Cinco Companheiros e Choro Pungado já começam os preparativos para a gravação também dos seus discos.

De toda essa movimentação tem surgido uma vigorosa renovação do gênero por aqui. Se até o surgimento do Clube do Choro só havia em São Luís dois grupamentos chorísticos – o Instrumental Pixinguinha e o Regional Tira-Teima – , hoje há pelo menos sete grupos de choro em atividade todos os dias da semana – além dos dois já citados temos agora o Grupo Um a Zero, o Chorando Calado, o Urubu Malandro, O Cinco Companheiros e o Choro Pungado.

Isso sem falar nos inúmeros instrumentistas, que também desenvolvem um trabalho tendo o choro como base. Além das cidades do interior, especialmente as da baixada, que tem uma tradição musical/instrumental muito forte, a exemplo de Viana, Penalva, Cajari, São Bento, Cururupu, Bequimão, etc.

De modo que temos hoje em São Luís apresentações de choro em quase todos os dias da semana. O que tem servido tanto como oferecimento de novas expressões musicais para o público maranhense, contribuindo para a formação de novas platéias e diversificação de práticas instrumentais, como também para o surgimento de oportunidades de trabalho e renda para os nossos músicos e instrumentistas.

O que se busca ainda como resultado de toda essa movimentação, é o amadurecimento da produção Chorística no Maranhão, como gênero e como forma de tocar outros gêneros. Nesse caso, nossa terra é um balaio enorme de diversidades do qual nossos chorões não devem abrir mão. Assim teremos condições de mostrar ao Brasil um Choro rico, diferente, com sotaque e identidade próprios, tocando em alto e bom som.

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