POLÍTICAS PÚBLICAS: MOBILIZAÇÃO E FORMAÇÃO, A LUTA POR DIREITOS EM MOVIMENTO[1]

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por Ricarte Almeida Santos[2]

O debate sobre as políticas públicas no Brasil é relativamente recente. Talvez seus maiores marcos históricos possam ser associados às reformas de base por ocasião do governo João Goulart, nos anos 1960, notadamente às discussões sobre saúde/SUS, política sanitária, dentre outras, que permeavam a arena política de então; e, duas décadas depois, ao processo de mobilização e participação em torno da constituinte livre e soberana nos anos 1980, que culminaria com a Constituição de 1988.

É quando é recuperado o caráter público do Estado brasileiro, ainda que seja no papel. Da promulgação da Constituição/88 para cá esse debate tem ganhado uma dimensão mais concreta, efetiva.

No entanto, construir uma cultura republicana no país, fortalecer uma arena pública de debates e proposições na construção e efetivação de direitos, tem sido o grande desafio da sociedade brasileira do advento da chamada Constituição Cidadã até os dias atuais.

Verifica-se que há, ainda, um grande descompasso entre os marcos legais, as estruturas políticas e as demandas sociais. Prevalece uma forte cultura política patrimonialista, assentada em estruturas oficiais conservadoras, absolutamente anacrônicas com a Constituição e com as crescentes e complexas demandas sociais, configurando uma assimetria entre diferentes brasis.

De um lado, uma pequena elite política e econômica assentada historicamente em privilégios, benesses e favorecimentos de toda sorte; de outro, uma luta histórica do povo pela conquista, garantia e efetivação de direitos, que são sempre negados, negligenciados ou violados.

Este tem sido o grande embate, a cada tempo histórico, com contornos próprios de cada momento. Em épocas, de alguma abertura e diálogo; mas, na maioria das vezes, de endurecimento e violência. Noutras, ainda, de convivência das duas formas, conciliando algum nível de diálogo, sinalização de políticas sociais com ações oficiais de violação de direitos e criminalização das lutas sociais e populares.

Assim tem sido nas últimas duas décadas, quando nossos governos têm sinalizado com políticas e programas sociais importantes, alguns de caráter compensatório, outros de perfil afirmativo, de transferência de renda, de acesso à moradia e ao ensino superior, e até de relativo diálogo com as forças sociais, dentre outras ações.

Ainda que distante, quantitativa e qualitativamente, do que se espera dos governos ditos “democráticos e populares”, algumas mudanças se verificaram no acesso das camadas mais populares a alguns direitos. Tanto é que diversos indicadores sociais já atestam alguma alteração no tecido social, embora estruturalmente pouco se tenha avançado.

Tal processo vem evidenciando uma enorme contradição. Parafraseando um importante líder popular que chegou ao posto de Presidência da República, “nunca na história deste país” se investiu tanto em grandes projetos. O Programa de Aceleração do Crescimento – PAC, os imensos incentivos ao agronegócio, as obras urbanas preparatórias aos grandes eventos esportivos – Copa do Mundo e Olimpíadas, dentre outros grandes investimentos, são demonstrações claras de um processo violento contra as populações atingidas, tanto nas periferias urbanas, quanto no meio rural.

Neste último caso, principalmente as populações tradicionais, quilombolas, ribeirinhos, povos indígenas, dentre outros, são os segmentos sociais alvo dos impactos dos chamados grandes projetos.

Flexibilização dos códigos legais, como o código florestal, os códigos das águas, da mineração, dentre outros; deslocamentos compulsórios das populações tradicionais de seus territórios, despejos forçados legalizados pelo judiciário, a ação de madeireiros, garimpeiros, jagunços e pistoleiros, dentre outras modalidades de violência têm caracterizado uma tragédia de enormes proporções, configurando, sobretudo, em relação aos povos da floresta, quadros de verdadeiros genocídios.

No meio urbano, é assustador o avanço do extermínio de nossa juventude negra. Sob a justificativa de promover segurança pública, de combater o tráfico de drogas, o Estado promove outra tragédia, patrocinando uma verdadeira “limpeza” étnica por meio do extermínio de jovens pobres e negros, nas ruas e nas cadeias, verdadeiros depósitos de seres humanos, uma realidade cada vez mais uma constante. Já sem direito a moradia digna, sem escolas, lazer, cultura e oportunidades, na periferia tem sido assim, a abordagem policial é na base do “atira primeiro, depois pergunta”. E, assim, milhares de jovens pobres e negros têm tombado nas ruas das nossas cidades.

Todo esse quadro tem se acentuado de forma acelerada, colocando novos elementos e maior complexidade ao debate sobre as políticas públicas, para os quais ainda não se tem respostas.

De modo que as discussão sobre o controle social de políticas e contas públicas, que ocuparam parte das agendas de atuação de vários regionais de Cáritas; o diálogo sobre as políticas de Assistência Social, intervenção que ganha, cada vez, maior protagonismo da atuação, tanto em âmbito de algumas Cáritas diocesanas e regionais, como também em nível nacional, cuja participação tem contribuído em muito para qualificar a papel do Conselho Nacional de Assistência Social, determinando, consequentemente, avanços na Política Nacional para o setor; ainda assim, faz-se urgente incorporar a discussão do caráter do chamado “desenvolvimento” e da relação do Estado, nas suas mais diferentes instâncias e esferas, com a sociedade e com os movimentos populares na perspectiva dos Direitos Humanos.

Essa é a grande contradição que grassa os últimos três governos da República e que, pela proximidade que estes têm com os movimentos sociais, tende a ser pouco problematizada ou deixa de ser encarada e debatida com a clareza que o quadro requer.

De todo modo, a luta por direitos, empreendida por Cáritas Brasileira nas últimas quatro décadas aponta na perspectiva da luta por políticas públicas. Mesmo quando a luta, quando o trabalho de Cáritas, era pela redemocratização do país, contra a ditadura, pela anistia, pelas Diretas Já, pelos direitos das mulheres, contra a tortura e a violência do Estado, pelo novo sindicalismo, por uma nova Constituição para o País, quando a luta era de apoio aos Projetos Alternativos Comunitários – PACs, estava a Cáritas trabalhando, lutando pela recuperação do caráter público do Estado brasileiro. Junto com outras organizações e movimentos em diversos cantos do país, os agentes de Cáritas estavam, coletivamente com outros atores, construindo a pauta do que viria a ser chamado, com a Constituição de 1988, de Políticas Públicas.

De 88 para os dias de hoje, o desafio das organizações sociais no Brasil tem sido o de avançar com a cidadania, com o fortalecimento da democracia; de encontrar os caminhos, as estratégias, para que os direitos que estão consignados no papel sejam efetivados na vida das pessoas e das comunidades; direito de participar ativamente da vida política do país; direito à escola de qualidade; direito à saúde, à moradia, ao trabalho, à assistência social, direito ao lazer, na perspectiva da construção de uma nova cultura política no país, de superação do patrimonialismo e das estruturas oligárquicas que ainda acometem as instâncias e espaços públicos.

Nessa direção, rica tem sido a trajetória de Cáritas Brasileira. Diversas foram as experiências desenvolvidas por Cáritas em todo o país, nas últimas décadas, na luta por políticas públicas, com processos político-pedagógicos de grande contribuição à democracia e aos direitos.

Experiências de mobilização e formação para qualificar a intervenção dos agentes sociais nas políticas públicas, como processos de formação popular para o controle social de orçamentos públicos; articulação e dinamização de redes de controle social nas políticas públicas;  processos amplos de mobilização como congressos estaduais de políticas públicas; assembleias populares; semanas sociais, refletindo o Estado que temos e o Estado que queremos; as ricas experiências de participação em conselhos gestores de políticas públicas, com importantes avanços, embora com muito desafios e limites a serem superados, certamente nos trazem grandes aprendizados; as experiência de gestão de projetos e recursos públicos, com seus riscos e desafios; e, até, experiências pioneiras de proposição de controle social sobre o poder judiciário.

Estas foram algumas das muitas vivências e práticas, dentre tantas outras, em construção, articuladas por e/ou com participação de Cáritas, nos mais diferentes cantos do Brasil.

Resta nos perguntar: O que essas experiências nos dizem hoje, frente ao atual cenário e suas contradições, de efetivação de alguns direitos sociais, do acesso ao consumo de parcelas da população historicamente excluídas; mas também de violações dos Direitos Humanos; de avanços dos grandes projetos, de criminalização das lutas e resistências populares;

Sugerimos, pra refrescarmos a memória, uma olhada ao Caderno “Políticas Públicas: Controle social e mobilizações cidadãs”, da série “Cadernos Cáritas”, também disponível em versão digital no site da Cáritas (clicando em “documentos”). Lá você terá um panorama dessa rica trajetória da atuação de Cáritas no âmbito do debate e construção das Políticas Públicas no Brasil, e certamente, extrairá um consistente aprendizado, compreendendo os enormes desafios que se tem ainda pela frente, numa realidade cada vez mais contraditória e cheia de complexidades.

Este ano, 2014, desafios ainda maiores se salientam. Ano de eleições gerais, também do advento do marco regulatório da relação do Estado com as organizações sociais, é fundamental uma reflexão sobre os limites desse processo, sobre os desafios que a sociedade tem frente a todas essas contradições e sobre o lugar das políticas públicas no fazer de Cáritas.

Surgem questões urgentes: como assumiremos essa perspectiva nas ações que empreendemos doravante?; como se dará a relação de Cáritas com os governos no âmbito do novo marco regulatório? São muitas as contradições, limites, riscos e desafios para os quais buscaremos as respostas, sempre coletivamente.

O importante é ter a clareza que a luta por políticas públicas é algo que está em movimento constante, que precisa ser encarada numa perspectiva do vir a ser, da cidadania ativa, do avanço, do inacabado, do protagonismo popular, sempre; da compreensão das contradições que a própria dinâmica política oferece, para melhor enfrentá-las, na construção incessante da emancipação social, das conquistas e efetivação de direitos na vida das pessoas. Portanto, um fazer humano coletivo sobre as humanidades,  dinâmicas, complexas e encantadoras, por natureza.

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[1] Texto preparado para contribuir com o Seminário Nacional de Politicas Públicas da Cáritas Brasileira (18 e 19/08/14).

[2] Ricarte Almeida Santos é sociólogo, especialista em Gestão Cultural e mestre em Cultura e Sociedade (UFMA), é secretário Executivo e  assessor de mobilização e formação em Políticas Públicas da Cáritas Brasileira Regional Maranhão.

Nove anos de saudades!

JURUCA, MEU MESTRE DO CHORO

JURUCA, O MEU MESTRE DO CHORO!*

por Ricarte Almeida Santos

O meu mestre do Choro não foi Pixinguinha, o mais notável de todos os chorões; também não foi Jacob do Bandolim, o mais preciosista dos mestres do Choro; muito menos Waldir Azevedo, o maior cavaquinhista de todos os tempos. Também eu não sou nenhum instrumentista de choro. Se quer arranho qualquer instrumento.

Meu mestre do Choro, assim como seu pupilo, também não tocava patavina, como ele gostava de falar. Mas foi com ele que eu aprendi a gostar de Choro. Foi ele quem me apresentou Jacob do Bandolim pela primeira vez. Foi com o meu mestre do Choro que eu conheci Pixinguinha, Zequinha de Abreu, Dilermando Reis, Saraiva, Noca do Acordeon, Nelson Gonçalves, Luís Gonzaga, Anísio Silva, Abdias, Marinês, Domingos Pecci e tantos outros mestres brasileiros da música.

Lembro com enorme saudade e uma pontinha de orgulho das inúmeras, incontáveis noites que adormeci ao som de “Saxofone, por que choras”, clássico do Ratinho. Nas minhas memórias de menino esse choro ficou imortalizado por Domingos Pecci, um dos saxofonistas preferidos do meu mestre . Outro choro que embalava minhas noites iluminadas à lamparina e candeeiro na pequena Santa Teresa do Paruá, foi “Lágrimas de namorados”, do já saudoso saxopranista Saraiva. O meu mestre adorava. Eu também. E ainda nem sabia.

Para acordar logo cedo, me recordo das notas e melodias de “Não me toques”. Música de Zequinha de Abreu, que lá em casa se ouvia ao som do mais cristalino dos bandolins, o de Jacob e seu Conjunto Época de Ouro. Claro, em LP, tocado em radiola Philips automática, à pilha, já que em Santa Teresa não havia energia elétrica.

Puxava-se o braço do pequeno aparelho para traz para ligá-lo e quando o grande disco começava a rolar no prato da vitrola, colocava-se a pequena agulha de cristal sobre o vinil e iniciava-se a audição dos meus primeiros choros. Ao terminar de tocar a última faixa de um dos lados do LP, a radiolinha desligava automaticamente. Para se ouvir as faixas do lado B por exemplo, virava-se o disco repetia-se a operação.

Assim lá em casa dormia-se ouvindo alguns dos mais belos choros sem a preocupação de ter que desligar o aparelho. Foi assim, dormindo e acordando, que aprendi a gostar dessa música. O Choro de vinil em radiola de pilha fez parte do meu sono, dos meus sonhos, do meu acordar cotidiano ao lado do meu mestre. Faz parte da minha vida.

Meu mestre se chamava Raimundo Natividade dos Santos. Para alguns, Raimundinho Juruca ou só Juruca. E era o meu querido Pai. Uma figura ímpar na minha vida, em todos os aspectos.

Juruca, além de grande pai, carinhoso, às vezes ríspido, portava-se, hoje posso ver, como um mestre do Choro para mim. Tratava com absoluto zelo seus LP’s.Toda vez que ia ouví-los era um verdadeiro ritual. Desde a escolha do disco, sua retirada da capa de papel e do plástico que o revestia, até a limpeza cuidadosa com uma espécie de esponja umedecida com um líquido especial, passada repetidas vezes em movimentos circulares sobre as faces do vinil.

Demonstrava conhecimento sobre os instrumentistas e compositores. Fazia comentários sobre eles. Gostava de atribuir títulos de nobreza a alguns. Para Juruca, Jacob era “rei do bandolim”. Saraiva para ele era “o rei do saxoprano” . Waldir Azevedo, “o rei do cavaquinho”. E assim o Juruca, o meu mestre do Choro, ia definindo verdadeiras monarquias instrumentais, que para mim serviram como parâmetros. Me ajudaram a perceber quem era quem no jogo dos instrumentos. Sempre tentava me convencer, e a todos, que o Choro era a nossa grande música. E eu fui acreditando nisso.

Outro costume curioso do mestre Juruca, acontecia quando aparecia alguém em sua farmácia ou em alguma roda de conversa se dizendo violonista, por exemplo. Para tirar a prova dos nove, Juruca exigia logo que o afoito tocasse “Marcha dos Marinheiros”, de Américo Jacomino. Para ele, uma música de difícil execução. Teste cabal para qualquer pretenso violonista. E caso contrário, o camarada estava desmoralizado como instrumentista.

Se o sujeito se dizia Sanfoneiro, aí desafio era outro. A ordem era tocar “Escadaria”, clássico do acordeon, de autoria de Pedro Raimundo. Se o dito instrumentista titubeasse frente à difícil Escadaria, pronto. Perdia a moral como acordeonista para Juruca.

E assim eu fui absorvendo essa música, cheia de beleza e de uma saudade inexplicável que eu não sabia do quê. E que agora, sem o meu mestre por perto, se explica. Eu já sei do que é aquela saudade que tem no Choro. Era a falta do meu mestre Juruca que eu já sentia antes mesmo de perdê-lo.

Se ouço “Saxofone, por que choras”, consigo ver seu rosto, cada detalhe, seu riso de dentes perfeitos de satisfação quando ouvia esse belo Choro. É o seu retrato chorístico. Vou emoldurar esse som e pendurá-lo no meu coração para sempre.

Daí também meu compromisso com o Choro, enquanto música, enquanto identidade, também como possibilidade de conquista e garantia de direitos. Portanto, a “tarefa” de difundi-lo entre os mais jovens, de partilhar com os mais pobres. Convencer também as outras pessoas que Choro é a nossa grande música. É também uma forma de me manter perto d’Ele, de diminuir a saudade que me faz triste.

Se o meu mestre do Choro fosse vivo, no próximo 8 de setembro faria 70 anos de vida. A mim restou a saudade, os ensinamentos e o “Chorinho de Herança”.

*Esse texto foi escrito e publicado neste blog há oito anos, pela passagem do dia dos pais.

 

A copa, a presidenta e uma elite raivosa

Tenho todas as críticas à presidenta Dilma, sou inclusive de um partido de oposição ao governo, o PSol, entretanto, não posso parabenizar e aplaudir os que xingaram a presidenta. 

Achei de uma violência, de uma truculência os xingamentos desferidos contra a mulher Dilma, contra a MULHER. Experimente sair pelas ruas com sua mãe, sua mulher ou filha e alguém lhe dirigir xingamentos violentos e raivosos, como fizeram com a presidenta Dilma. Isso não tem a ver com luta por vida e direitos. A compreensão da luta por direitos não tem espaço pra esse tipo de violência. Isso tem mais a ver com a intolerância, com o machismo, com uma “elitezinha” de classe média raivosa que não sabe participar do debate político, público e aberto. O que sobra é grosseria, a estupidez, a cólera e a violência.

Criticar a presidenta, as opções do governo, a gestão pública, a corrupção, que também não foi uma propriedade só do PT, é direito de todos e todas e é necessário, é salutar. 

É direito até daqueles que hoje se arvoram de paladinos e paladinas moralistas, mas que sempre se locupletaram dos favores, das camaradagens, de esquemas de prefeituras, de secretarias, de governos municipais e/ou estaduais, enfim, de arranjos e desarranjos com o nosso suado dinheirinho público. 

Nas redes sociais é tanta gente “revoltada que dá gosto” e asco de ver de onde parte. Onde estava essa gente toda antes, que o Brasil já não seria o que é hoje. 

Mas alguns e algumas desses e dessas até responderam e/ou respondem processos judiciais, do mesmo jeito que os mensaleiros, por mau uso dos dinheiro público, por que se prestavam a operar esquemas entre amigos de governo, por que gostavam de uma indicaçãozinha de um parente, de uma amiga ou cacho em algum cargo público. 

Todo mundo agora vomita moralidade, digo, “moralismo”, mas bem que sempre gostou de um privilegiozinho às custas do erário. Ora me compre bode, o privilégio (que também chamamos de favor) é o inimigo, é a antítese dos direitos, é senha da corrupção. 

Para alguns que adoram se distinguir dos comuns mortais, e até escarnecer os mais pobres, o privilégio garantido por uma autoridade pública, por um figurão da política, lhe confere um “prestígio” danado, mas lhe faz também muito parecido com os tais “mensaleiros”, que gostam tanto de defenestrar. 

O que faz o crime não é o tamanho do roubo e nem cor do partido ou do governo ou da amizade do corrupto, mas o ato que viola o princípio da coisa pública. Coisas do tipo: favor com dinheiro público, empreguismo de parente, pagamento de propina e recebimento de propina, direcionar licitações, participar de esquemas com dinheiro público por menor que seja o montante, ou por “melhor” que sejam suas intensões e amizades.

E assim segue o Brasil da hipocrisia!Imagem

Poética fina

Bruno Batista, tanto cá, quanto , um grande compositor brasileiro; o cantor lança novo álbum, hoje (30), no Teatro Arthur Azevedo

POR RICARTE ALMEIDA SANTOS*

Além do talento extraordinário como compositor, condição que o coloca entre os melhores dessa nova geração de compositores  brasileiros, Bruno Batista faz dessa sua capacidade criativa um outro talento especial.  A cada disco que lança, esse jovem cantor e compositor, se torna mais “incômodo” aos ouvidos já acostumados.

Quando, em 2004, recebi de suas mãos, o demo de seu primeiro disco, homônimo, confesso minha estranheza imediata ao ouvi-lo. Tudo parecia novo, estranho, diferente, uma poética, uma sonoridade que incomodavam. Admito, tive que escutá-lo diversas vezes até começar a assimilar os conceitos, a estética proposta, a poética fina do Bruno. O disco me tirou do lugar confortável, do mero entretenimento.

Sobre esse disco escrevi, na época, um artigo para o jornal Diário da Manhã, intitulado De Zeca Baleiro a Bruno Batista… ainda bem que ‘eu não ouvi todos os discos’. Aquele texto, que não tinha lá grandes pretensões, acabou por abrir um debate sobre a produção e o cenário da música popular no Maranhão.

Debate que me fez refletir mais sistematicamente sobre, numa dissertação, recentemente defendida no programa de pós-graduação “Cultura e Sociedade”, da Universidade Federal do Maranhão, sob o título Música Popular Maranhense e a questão da identidade cultural regional. Nada de extraordinário, mas trata-se de um esforço ensaístico de uma compreensão, das muitas possíveis, sobre a nossa música, buscando ir além do ufanismo que sempre fez parte do nosso discurso.

A música do Bruno é assim, nos coloca em movimento, nos faz refletir, além da beleza, do entretenimento que desperta.

Depois veio o Eu não sei sofrer em inglês (2011), seu segundo CD. Trabalho que inaugura a estada de Bruno Batista em São Paulo, após cinco anos morando no Rio.

Na capital paulista, trabalhando com novos parceiros e músicos, gente arejada e antenada como Guilherme Kastrup, Chico Salem, Marcelo Jeneci, Gustavo Ruiz, Rubi, Zeca Baleiro, Tulipa Ruiz, dentre outros, Bruno dá vazão a toda sua verve criativa. Percebe-se que o compositor, o poeta, o músico, enfim, o Bruno Batista criador respirou novos ares, ficou mais a vontade, sentiu-se mais em casa.

O ambiente cosmopolita de São Paulo definitivamente colocou Bruno Batista numa outra atmosfera criativa, em um novo ritmo de produção. Tanto é que o intervalo do segundo disco  – Eu não sei sofrer em inglês – para o terceiro – (2013) – , ambos feitos em São Paulo,  foi bem menor em relação à demora entre o primeiro – homônimo – e o segundo; depois, a concepção estética desses dois último CDs revelam a ambiência pluralíssima que a cidade de São Paulo suscita no jovem artista. Um mundo absurdo de influências, sonoridades, ritmos, novas tecnologias, ruídos, cores, movimentos e culturas.

São Paulo, um verdadeiro caldeirão multicultural que, ambientando um jovem poeta e músico talentoso e inquieto, ávido pelo novo, por vezes da ternura, noutras melancólico, mas também da alegria, originário de um Nordeste rico em tradições culturais, em ritmos, folguedos e referências musicais e poéticas consistentes, em permanente processo de ebulição cultural, lhe fornece alguns dos ingredientes e a temperatura necessários para um processo de criação instigante e provocador.

, assim como os outros dois primeiros, mas, mais parecido com o segundo, traduz esse perfil de um artista contemporâneo, um compositor do mundo, sem ter que abrir mão de suas ancestralidades identitárias, de suas cidades que são muitas e múltiplas.

Veja que Bruno canta coisas do seu chão, desde o primeiro disco até neste ,  mais recente, sem fazer uso de um discurso de exaltação. Elas aparecem com sutileza, numa palavra, numa rítmica, meio que incidental e, ao mesmo tempo, soando absolutamente natural, como se fosse o sotaque de sua música em conversa, que vez por outra insiste em aparecer, tornando o novo, que nos sugere, também algo familiar, que nos arrebata pelo toque de sutileza, originalidade e sofisticação.

Bruno Batista segue em inventando e reinventando formas, jeitos, versos e ritmos de abordar o que nos é universal e, por isso também, nos é identitário, posto que temos os pés cá, no chão, no terreiro, mas a cabeça , no mundo, no cosmos, que acontece em movimentação permanente pra cá e pra , sem uma determinação única.

SERVIÇO

O quê? Show de lançamento do álbum , do cantor e compositor Bruno Batista.
Quando? Hoje (30), às 20h30.
Onde? Teatro Arthur Azevedo.
Quanto? R$ 30 (plateia e frisa) e R$ 25 (camarote, balcão e galeria). Ingressos à venda no jornal O Imparcial (Renascença II), Bar do Léo (Vinhais) e na loja Play Som (Tropical Shopping).

*Ricarte Almeida Santos é sociólogo e radialista, gestor cultural e mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal do Maranhão. É produtor e apresentador do programa Chorinhos e Chorões da rádio Universidade FM.

[texto publicado no caderno Impar, O Imparcial, hoje (30)]

O EXERCÍCIO DA MEDICINA NO BRASIL: ESTRUTURANDO PODER E MISÉRIA.

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Ser médico no Brasil é condição de poder.

Daí, toda a pressão e lobby das “organizações de corpo” contra a vinda de médicos estrangeiros para o Brasil.

Todos e todas sabem da negligência histórica, de décadas, séculos a fio, dos governos com a saúde pública neste país, uma realidade clara e concreta, insuportável.

Faltam postos de saúde, hospitais, mas também faltam médicos, medicina preventiva, enfim, falta uma política pública de saúde, efetivamente.

O quadro de miséria que se abate sobre o nosso povo, e eu falo do Maranhão, faz com que os mais empobrecidos e empobrecidas, principalmente mulheres e crianças, morram à míngua, jogados num quarto pobre, muitas das vezes insalubre de casebres de taipa ou de pau a pique, de palha, de chão batido, sem nem mesmo ter chance de chegar a um hospital; ou de um médico lhe fazer um visita, antecipando-se ao hospital.

Em um quadro como este não é sem motivos, no interior do Maranhão, que o “exercício da medicina”, tenha se transformado numa outra forma – e eu nem diria moderna, diria cruel, vil – de exercício do mandonismo, de “coronelismo”.

Na ausência de políticas públicas de saúde, na carência absoluta de nossa gente, como atestam os indicadores do PENUD/IPEA, ser médico no Maranhão é sinônimo de poder também político.

Não é coincidência o alto número de médicos que são ou que viram prefeitos de uma hora para outra.

E nem assim, nos municípios onde estes atuam, o quadro da saúde é menos ruim. Quase sempre essa situação – médicos prefeitos – anda aliançada com a corrupção e com a negligência com a saúde pública. Prefeitos podres (mas podres mesmo) de ricos e povo desassistido.

Acredito que o debate, aberto com advento do “Mais Médicos”, enseja uma reflexão profunda na escola de medicina, sobre o natureza da formação dos nossos profissionais da saúde, sobretudo, na universidade pública, paga com o suado dinheiro do povo brasileiro, inclusive, dos mais pobres, que, aliás, é quem paga imposto no Brasil, portanto, é quem paga a conta.

Fazer da medicina um mero negócio ou um canal para o mandonismo político nas cidades do interior, parece ter sido a “receita do sucesso” dos profissionais da medicina. É claro que têm exceções. Conheço muitas delas. Falo do geral, do que predomina. A gente não vive pelas exceções!

Ser arrogantes, tratar os pacientes com descaso, receitar sem nem mesmo olhar o rosto dos pacientes, não cumprir os horários nos consultórios, usar dedos de silicone pra registrar presença em falsos plantões, fraudes outras, incontáveis, ao erário público também tem sido práticas muito recorrentes.

Não me lembro de pronunciamento, de campanhas zelosas do CRM contra a corrupção na saúde, contra as distorções médicas, em favor da medicina pública, acessível, enfim… Por onde andavam os “republicanos” CRM’s ?

Precisamos de uma formação médica direcionada para a vida, para o ser humano.

Em um estado como o Maranhão já seria a ‘salvação da lavoura’ de nossa gente. A medicina preventiva, o médico da família já reduziriam em muito as filas nos hospitais, a número de ambulâncias para os maiores centros.

Me parece que a preocupação maior é com o espírito de porco, digo, de corpo e menos com a vida, com a pessoa.

Que faltam hospitais, faltam; que faltam postos de saúde, faltam; que faltam equipamentos, faltam. Mas os médicos são formados não são para hospitais, são para as pessoas.

Com menos corrupção, com mais médicos, os hospitais, os equipamentos seriam uma consequência. O que o governo federal sinaliza não é tudo, está longe do ideal, do que a sociedade precisa, mas pode apontar um caminho em vista de uma política pública de saúde. O quadro da saúde pública e do sistema de saúde, do exercício da medicina, está estrangulado. Algo teria que ser feito.

O”Mais Médicos” ainda parece ser pouco diante do muito que historicamente nos foi e é negado, mas pode ser o ponto de partida para enfrentar uma situação que, sob o ponto de vista da medicina, é endêmica, na medida que é uma doença de natureza da formação; sob o ponto de vista sociológico, é estrutural e estruturante, na medida em que tem servido para a concentração de poder político e riquezas, acentuando, de maneira vil, a miséria e a desigualdade.

Marco César – da escola Luperce-jacobeana – um grande bandolinista em São Luís

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Antes do reinado de Jacob do Bandolim, a soberania desse instrumento no Brasil era de um pernambucano, Luperce Miranda.

Luperce foi o grande nome do Bandolim no Brasil por várias décadas. Já aos 15 anos de idade começou a se destacar como bandolinista.

Só não foi à Paris, nos anos 20, na famosa viagem de Pixinguinha e Os Oito Batutas, porque seu pai o impediu, alegando a pouca idade do, então, adolescente instrumentista.

Depois, Luperce Miranda reinou absoluto no bandolim. Integrou diversos regionais, tocando em gravações e  emissoras de rádio. Nos anos 30 acompanhou artistas como Mário Reis, Carmen Miranda e Francisco Alves.

Nos anos seguintes trabalhou nas rádios Mayrink Veiga e Nacional, até quando voltou para o Recife, onde também desenvolveu importante trabalho, implantando por lá uma escola de grandes bandolinistas.

Suas grandes marcas eram a técnica apurada e  a velocidade impressionante com que tocava; além de um exímio e fértil compositor que era. Seu repertório ainda hoje inspira novos bandolinistas em todo e país.

Só depois é que surge Jacob do Bandolim, que revoluciona o instrumento, dando-lhe um sotaque e até uma formato bem Brasileiros. Em outras palavras, Jacob abrasileirou o bandolim, deu-lhe um imenso e belo repertório, uma linguagem própria.

Jacob do Bandolim afirmou o bandolim definitivamente no Choro, na música brasileira e no seu nome. Emprestou seu nome à história do instrumento no Brasil.

Um dos mais brilhantes, diria eu, discípulos, seguidores e, hoje, um renomado mestre dessa tradição luperce-jacobiana do bandolim brasileiro, estará nesse final de semana na Ilha de São Luís.

Trata-se do grande bandolinista e professor Marco César. Há muito Marco César milita no meio chorístico e musical como grande mestre do bandolim que é. Sem dúvida alguma, um dos mais conceituados e respeitados bandolinistas dentre aqueles que entendem e estudam o instrumento em todo o Brasil; e, até, entre aqueles que só apreciam o instrumento – como este blogueiro-radialista que vos rabisca “estas mal traçadas linhas”, como diriam as cartas de antigamente.

Marco César, além de excelente bandolinista, é professor do Conservatório Pernambucano de Choro da Universidade Federal de Pernambuco; é integrante e fundador do Conjunto Pernambucano de Choro e da Oficina de Cordas de Pernambuco; apresentou-se em todo o  país e no exterior ao lado do multi-artista Antônio Nóbrega e como solista da Orquestra Sinfônica do Recife, dentre tantos momentos de sua rica trajetória.

Como bandolinista e  mestre, reverenciado por todos em Recife, é o grande influenciador das novas gerações do Choro em Pernambuco. Grupos como o “Arabiando”, formado por jovens instrumentistas, dentre outros, levam as digitais desse grande músico.

Então, pra quem ainda não sabia, Marco César toca neste final de semana na Ilha. Acompanhado pelo Regional Tira Teima (Paulo Trabulsi, Solano, Serrinha (ou João Neto), Zeca, Zé Carlos e Léo Capiba), o mais tradicional grupamento de Choro da Ilha, o grande  mestre pernambucano do Choro e do Bandolim dá o ar de seu talento, neste sábado, às 9H da noite, na AABB (Av. dos Holandeses). Encontro de feras, certamente

Imperdível mesmo!

O quê? Marco César, grande bandolinista brasileiro (do Recife) e Regional Tira Teima

Quando? Sábado, 27/07, às 9H da noite

Onde? Na Associação Atlética Banco do Brasil – AABB (Av. do Holandeses – Calhau)

Quanto? não informado

PARA FALAR DO DIA NACIONAL DO CHORO E DO “CHOROGRAFIA DO MARANHÃO”

por Ricarte Almeida Santos[1]

Em todo o país, hoje dia 23 de abril, se comemora o Dia Nacional do Choro. É lei.

São Luís também terá sua deferência especial ao dia de nascimento de Alfredo da Rocha Viana Filho, o Pixinguinha. A festa será na AABB, a partir das 19 horas, com um desfile das nossas maiores feras do choro.

Aliás, é oportuno dizer, que já faz alguns anos que a Escola de Música do Maranhão não tem deixado a data passar “impunemente”, algo merecedor de reconhecimento e aplauso.

Antes das iniciativas da EMEM, a jornalista Vanessa Serra foi outra que também empreendeu esforços comemorativos ao Dia Nacional do Choro. Lembro-me de uma vez em que ela nos brindou com a presença do extraordinário clarinetista Paulo Sérgio Santos, figura de proa do cenário “chorístico-instrumental” brasileiro, com quem tive a honra de dividir na UFMA uma mesa de debate sobre o gênero.

Além do Paulo Sérgio, outra presença ilustre na ocasião foi a do seu filho Caio Marcio, extraordinário violonista, hoje integrante do contemporaníssimo grupo Tira Poeira. Os dois, junto com os chorões da Ilha, transformaram o Bar do Léo numa grande e qualificada roda de Choro, para o deleite dos presentes. Bons tempos aqueles de música ao(s) vivo(s) na Cobal do Vinhais!

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Tudo isso, junto com outros acontecimentos chorísticos, como projetos, shows, festivais e rodas de choro, ajudam a contar a história do gênero em terras maranhenses. Mas há muito que essa música se faz presente na terra de Gonçalves Dias.

João Mohana pescou peças de Choro por aqui que datam do século XIX. Imagine o que se fez em termos de produção chorística de lá até aqui. Velhos mestres aí pelas cidades históricas da baixada, do Mearim, do Itapecuru, do Grajaú, no interior da Ilha em mais de 150 anos de história musical. Peças e peças que ficaram no fundo dos baús sem serem reveladas ao público. O próprio Mohana registra os prejuízos de centenas e centenas de partituras perdidas pela ação tempo, pelo ataque dos cupins e pelo desleixo de familiares que ignoravam o valor do que guardavam. Muita coisa ficou irrecuperável mesmo, outras viraram embalagem de sabão.

Atualmente, recebo muitas reclamações de saudosistas do projeto “Clube do Choro Recebe”, reivindicando a volta da iniciativa, que idealizei e desenvolvi em parceria, por quase três anos, no lendário restaurante do Chico Canhoto. A ideia era simples: provocar o encontro do Choro, linguagem instrumental brasileira, com a diversidade da cultura musical do Maranhão. A coisa fertilizou, não só pelo grande público que por lá aparecia lotando as dependências do já pequeno espaço do Canhoto, mas sobretudo pela mexida na cabeça de muitos e dos resultados estéticos que passou a suscitar nas produções musicais posteriores e no próprio mercado da música, que passou, com maior destaque, a abrir espaço para o Choro e para a música instrumental.

Penso que as reivindicações saudosistas têm toda a razão de ser, afinal aqueles saraus eram momentos de prática e vivência artístico-musical de grande deleite. Quando se terminava, às 11 e meia da noite, sempre ficava aquele gostinho de quero mais.

Hoje, felizmente, se têm rodas de choro em vários cantos da Ilha e, embora o “Clube do Choro Recebe” tenha deixado saudades, imagino que precisamos ir adiante. É necessário avançarmos no processo de formação de novas gerações de chorões  e  do registro da memória do Choro no Maranhão.

Nessa perspectiva, idealizei e formulei o projeto “Autobiografia dos Chorões Maranhenses” – que, por sugestão do competente jornalista Zema Ribeiro, convidado por mim para participar do projeto, passou a se chamar “Chorografia do Maranhão” – foi no sentido de um passo adiante, de registrar as histórias dos chorões maranhenses contadas por eles mesmos, através de entrevistas; nesse mesmo sentido, formulei convite ao fotógrafo Rivânio Almeida Santos para o registro fotográfico dos entrevistados, visando, também, constituir um acervo de imagens dos nossos chorões.

Executar um projeto dessa importância requer profissionais de sensibilidade e competência, daí o convite aos dois – ao Zema e ao Rivânio – com quem tenho tido a felicidade de trabalhar.

Coordenar esse projeto para mim e desenvolvê-lo contando com as competências desses dois finos profissionais, é sinal de compromisso com a ética e com um resultado de qualidade e respeito ao Choro e aos chorões do Maranhão.

Todo esse material, depois de entrevistados cerca de 40 chorões maranhenses, comporá um livro com o conjunto  das entrevistas e das imagens captadas, publicação que terá lançamento em São Luís, Brasília e Rio de Janeiro.

O objetivo, além do registro da memória dos nossos chorões,  é subsidiar futuras pesquisas sobre a nossa música instrumental, especialmente sobre o Choro no estado.

Para quem ainda não sabe, as entrevistas do “Chorografia do Maranhão” estão sendo publicadas quinzenalmente, aos domingos,  no Jornal “O Imparcial”, sempre com um tratamento apurado e profundamente respeitoso por parte daquele matutino.

E assim segue o Choro no Maranhão.

 


[1] Ricarte Almeida Santos é sociólogo e radialista, especialista em Gestão Cultural e Mestre em Cultura e Sociedade; é produtor e apresentador, há 22 anos,  do programa Chorinhos e Chorões da Rádio Universidade FM